ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

Procurador da Lava Jato diz que não existe possibilidade real de Lula ser preso

Carlos Fernando Lima descartou possível prisão do ex-presidente, mas ressaltou que a operação não deixará de analisar todas as pessoas que possasm ter participado do esquema

ANA FERNANDES E E DAIENE CARDOSO, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2015 | 12h01

O procurador Carlos Fernando Lima, da força-tarefa da Operação Lava Jato, disse a jornalistas nesta manhã de segunda-feira, 3, não haver, por ora, "possibilidade real" de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser preso em meio às investigações do esquema de corrupção instalado na Petrobras. "Não existe possibilidade real", respondeu ao ser questionado sobre uma possível prisão do ex-presidente petista. Ele voltou a ressalvar, no entanto, que a operação não se exime de analisar todas as pessoas que possam efetivamente ter participado dos fatos.

"Temos uma ideia boa e clara de onde podemos chegar, mas isso é fato sigiloso", afirmou o procurador.

Questionado sobre os desdobramentos da operação para além da Petrobrás, Lima disse que a Lava Jato colocou um "torniquete na sangria de corrupção" na estatal, mas que vai ser necessário muito mais que isso. Ele citou a importância de se mudar leis processuais penais, por exemplo, para agilizar a atividade da Justiça no País.

Lima explicou que não há no momento investigação específica na Polícia Federal sobre possíveis desvios no BNDES - que, além da Petrobrás, também é alvo de CPI no Congresso Nacional. "Não temos investigação específica no BNDES."

Sistematização. Os integrantes da força-tarefa reiteraram nesta manhã que, apesar de se saber da corrupção histórica no setor público brasileiro, há evidência de "sistematização" dos desvios da Petrobrás a partir do governo Lula, em 2003. "Nossos operadores apontam até aqui que houve sistematização da corrupção, como forma de compra de apoio parlamentar mais organizado, por incrível que pareça", disse o procurador Carlos Fernando Lima em referência ao período a partir de 2003.

A Lava Jato também diz ter evidências da ligação de continuidade entre o mensalão e o esquema de desvios bilionário na Petrobrás. Questionado, o delegado Márcio Adriano Anselmo disse que a investigação não tem, até o momento, evidência de que os desvios, que prosseguiram após o julgamento do mensalão, possam ter sido usados na vaquinha feita pelo PT para ajudar condenados a pagar multas referentes ao caso. Na época, o partido juntou mais de R$ 2,5 milhões através do mecanismo.

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