Procurador cria força-tarefa para ações e inquéritos contra políticos na Lava Jato

Rodrigo Janot vai contar nos próximos seis meses com o auxílio de um grupo de trabalho formado por oito nomes do Ministério Público Federal e de Promotoria do DF para auxiliá-lo na análise dos desdobramentos das investigações no Supremo

ERICH DECAT, O Estado de S. Paulo - texto atualizado às 07h26 de 21/01/2015

20 de janeiro de 2015 | 10h02

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, criou um grupo de trabalho para auxiliá-lo na análise dos desdobramentos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. A Corte é a jurisdição de políticos e autoridades com foro privilegiado citadas nas investigações e nos processos que tramitam na Justiça Federal no Paraná. O ministro Teori Zavascki é o responsável pelos processos no Supremo.

O grupo de trabalho - criado por meio de uma portaria divulgada ontem pela Procuradoria-Geral da República - vai atuar nos próximos seis meses em paralelo à força-tarefa já instituída para tratar da investigação em curso na primeira instância em Curitiba. Os dois grupos atuarão em cooperação.

Oito membros integram a força-tarefa criada por Janot para as ações no Supremo: os procuradores regionais da República Douglas Fischer e Vladimir Aras; os procuradores da República Bruno Calabrich, Fabio Coimbra e Rodrigo Telles de Souza; e os promotores de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal Sergio Fernandes e Wilton Queiroz. O coordenador do grupo será o procurador regional Douglas Fischer.

O procurador-geral disse em dezembro que a partir do próximo mês vai pedir investigação ou apresentar diretamente acusação formal contra autoridades citadas na Lava Jato. Com a criação da força-tarefa, a expectativa é que os procedimentos sejam acelerados. 

Delação. Conforme revelou o Estado em dezembro do ano passado, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, primeiro delator da Lava Jato, citou em 80 depoimentos que se estenderam por duas semanas, entre agosto e setembro, uma lista de 28 políticos - que inclui ministro e ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT), deputados, senadores, governador e ex-governadores - que se beneficiaram do esquema de corrupção, pagamento de propinas e caixa 2 que se instalou na estatal entre 2004 e 2012. Costa não revelou valores que teriam sido distribuídos a eles ou a seus partidos.

A Polícia Federal e a Procuradoria da República trabalham com outros nomes de políticos que se relacionavam com os ex-diretores da estatal Renato Duque (Serviços) e Nestor Cerveró (Internacional). 
O doleiro Alberto Youssef também citou políticos em sua delação. Ele relatou que o deputado Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB e candidato à presidência na Câmara dos Deputados, foi “beneficiário de propinas” do esquema “por intermédio de Fernando Baiano”, apontado como operador do PMDB.

O advogado do doleiro, Antonio Basto Figueiredo, sustenta que Youssef “não conhece o Eduardo Cunha, nunca teve pedido do Eduardo Cunha, não sabe nada a respeito de entregar dinheiro” para o peemedebista.

A relação de Costa inclui os atuais presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-ministro Antonio Palocci e parlamentares que integram a base aliada ao Planalto no Congresso. O ex-diretor apontou também como beneficiário do esquema de corrupção o governador do Acre, Tião Viana (PT), reeleito em 2014. Todos negaram envolvimento com corrupção na Petrobrás.
 
Ao todo, entre os congressistas, foram mencionados sete senadores e 11 deputados federais. Alguns, conforme o ex-diretor, recebiam repasses que chegaram a superar R$ 1 milhão - dinheiro que teria sido usado em campanhas eleitorais. 

Outros receberam esporadicamente - caso, segundo ele, do ex-presidente do PSDB, o ex-senador Sérgio Guerra - morto no ano passado -, que em 2009 pediu R$ 10 milhões para arquivar uma CPI da Petrobrás no Senado.

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