Procurador contradiz colega em sessão secreta

O procurador federal Guilherme Schelb confirmou nesta quarta-feira, em sessão secreta do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse, durante conversa com representantes do Ministério Público, ter uma "lista" ou "relação" dos votos contrários e a favor da cassação de mandato do senador Luiz Estevão, segundo senadores que participaram da reunião reservada.Mas Schelb atribuiu a declaração de ACM a uma "dedução" sobre a votação, tendo como base informações obtidas dos próprios parlamentares.A versão do procurador foi a mesma apresentada pelo procurador Luiz Francisco de Souza em depoimento ao Conselho há cerca de 15 dias.Schelb, no entanto, entrou em contradição com o procurador Luiz Francisco de Souza, ao negar que ACM afirmou, no encontro com o MP, que as investigações relativas às movimentações bancárias e às ligações telefônicas do ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas levariam ao presidente Fernando Henrique Cardoso.Segundo Souza, ACM garantiu que, com esse trabalho, se "chegaria" ao presidente. Eduardo Jorge é alvo de uma investigação do MP, porque teria participado do esquema de desvios de recursos da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo.Diante das contradições, o relator das investigações no Conselho, senador Saturnino Braga (PSB-RJ), pode pedir uma acareação entre Schelb, Luiz Francisco e a procuradora Eliana Torelly.Os três integrantes do MP participaram da conversa com ACM, ocorrida em 19 de fevereiro, na qual o pefelista teria feito revelações sobre a sessão secreta que aprovou a cassação de mandato de Estevão, em 28 de junho do ano passado.Schelb foi ouvido pelos senadores durante quase três horas. Eliana Torelly começou a depor às 22h30, mas até até agora não havia informações sobre a versão apresentada por ela.Os dois membros do MP prestaram um novo depoimento, porque haviam se recusado a dar detalhes do encontro com ACM aos parlamentares. O Conselho de Ética é responsável pela análise do caso do suposto envolvimento de ACM na violação do sistema eletrônico de votação do Senado.O pefelista é alvo de uma investigação por suposta quebra de decoro parlamentar, que pode resultar na cassação de seu mandato.

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