Procurador comemora quebra de sigilo de Eduardo Jorge

O procurador da República Alexandre Camanho disse que a decisão do juiz da 10ª vara da Justiça de Brasília, Ronaldo Desterro, de autorizar a quebra do sigilo bancário do ex-secretário-geral da Presidência da República, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e de mais sete pessoas e nove empresas, comprova que há consistência nas investigações que estão sendo conduzidas pelo Ministério Público, há cerca de um ano. O despacho do juiz determina ao Banco Central que apresente, no prazo de 30 dias, além das informações sobre Eduardo Jorge, a movimentação bancária de 1999 e 2000 de sua mulher, Lídice Coelho, de seus irmãos Marcos, Fernando e Ruy Jorge Caldas Pereira, e de seus ex-sócios Ivan Carlos Machado Aragão, Eduardo de Azevedo Neto e Cláudio Albuquerque Haidamus. O juiz também autorizou a quebra do sigilo fiscal e dos dados sobre a movimentação da CPMF do ex-secretário e de sua mulher, nos últimos cinco anos. Também serão devassadas as contas bancárias das empresas Metaplan Consultoria e Planejamento, Metacor Administração e Corretagem de Seguros, Grupo Meta Participações, EJP Faria Consultores Associados, EJ Pereira Consultoria, Blue Chip Consultoria e Projetos Financeiros, JCP Assessoria Empresarial e DTC Direct To Company. Alexandre Camanho, que com seu colega procurador Luiz Francisco de Souza requereu a quebra do sigilo bancário à Justiça, explicou que o cruzamento desses dados sigilosos com os documentos que estão em poder do Ministério Público vão revelar se as suspeitas do Ministério Público têm fundamento. "Não estamos culpando ninguém antecipadamente", ressalvou. O advogado de Eduardo Jorge, José Gerardo Grossi, informou que entrará com um recurso no Tribunal Regional Federal na semana que vem, para cassar a autorização do juiz Ronaldo Desterro. Ele alegou que seu cliente nunca se recusou a atender aos pedidos de dados feitos pelo Ministério Público. "Bastavam um telefonema para que as informações chegassem até lá", disse. Grossi afirmou que a iniciativa dos procuradores "é um jogo de cena".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.