Procurador avalia ligação de irmão de Renan na Navalha

Antônio de Souza abre dois procedimentos para avaliar se Olavo Calheiros e mais dois deputados estão envolvidos na máfia das obras, desmantelada pela PF

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h54

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, abriu dois procedimentos administrativos nesta terça-feira, 19, para avaliar se os deputados Olavo Calheiros (PMDB-AL) e Maurício Quintela (PR-AL) se envolveram no esquema de fraudes em licitações públicas investigado pela Operação Navalha. Se ele concluir que há indícios de participação dos parlamentares na rede, Souza poderá pedir a abertura de um inquérito contra eles. O procurador abriu o procedimento após receber um relatório da Polícia Federal com as suspeitas. Na sexta-feira, a PF enviou relatório com indícios de envolvimento de três parlamentares com a máfia das fraudes em obras públicas, desmantelada pela Operação Navalha.Além do irmão de Renan, dois deputados federais Maurício Quintela (PR-AL) e Paulo Magalhães (DEM-BA), sobrinho do senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA)também estão no relatório. Por meio de nota, Magalhães negou envolvimento com as irregularidades. Quintela disse que conhece o empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama, pivô do esquema, mas disse que jamais recebeu benefícios dele. Procurado em seu gabinete, Olavo não foi localizado para comentar a medida adotada pela PF.As evidências foram levantadas na análise dos documentos apreendidos em maio na sede da construtora Gautama e de outros envolvidos no esquema, durante a operação. OJunto com o relatório, de quatro páginas, a PF anexou um CD com gravações de conversas envolvendo os parlamentares e documentos que os ligam à quadrilha, que desviava recursos público mediante fraudes sistemáticas em licitações em seis Estados, corrupção de autoridades, inclusive governadores e secretários estaduais, superfaturamento e medições fraudulentas de obras não realizadas.Os dados da PF, caso acatados pelo Ministério Público, abrirão espaço para uma devassa patrimonial, bancária e fiscal de Olavo, suspeito de ser chefe das ações da quadrilha em Alagoas, por intermédio de um grupo de operadores de sua confiança, colocados em postos-chave do governo estadual desde a década de 90, sobretudo a Secretaria de Infra-Estrutura. A PF levantou também evidências de que Olavo estaria por trás de um esquema de uso de fazendas em nome da família para lavar dinheiro de origem ilícita.Operação NavalhaA Operação Navalha prendeu, em 17 de maio, integrantes de uma quadrilha que fraudava licitações de obras do governo - incluindo projetos do programa Luz Para Todos. O esquema planejava atacar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Houve 48 prisões e apreensão de documentos em nove Estados e no Distrito Federal. Segundo a PF, de 2003 a 2006, o esquema movimentou R$ 170 milhões. O esquema chegou ao nível federal, com a suspeita de envolvimento do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, que pediu demissão do cargo mas nega as acusações . As investigações tiveram início em novembro de 2006. (Com Vannildo Mendes)

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