Procurador acusado de mandar matar colega é afastado

O conselho de procuradores do Ministério Público do Amazonas decidiu nesta terça-feira, por unanimidade, encaminhar à Assembléia Legislativa o processo para a destituição do procurador-geral licenciado Vicente Cruz de seu cargo. Pedido similar foi protocolado na última sexta-feira pelo deputado estadual Eron Bezerra (PcdoB).Segundo a Constituição Estadual, um procurador só pode ser destituído do cargo por votação da maioria dos deputados estaduais. Mesmo estando em recesso até fevereiro, a Assembléia pode convocar sessão extraordinária para a votação.Por unanimidade de votos, o conselho de procuradores decidiu aprovar a instauração, também, de Processo Administrativo Disciplinar "para apurar conduta incompatível com o exercício do cargo e descumprimento do dever funcional", segundo nota oficial enviada à imprensa pelo Ministério Público Estadual.O procurador-geral em exercício Evandro Paes de Farias também decidiu afastar Cruz, a partir desta terça, do exercício do cargo de Procurador da 13º Procuradoria de Justiça. Com isso, Cruz fica fora da disputa para a escolha do novo procurador-geral, no dia 15 de fevereiro. "As investigações criminais, a cargo da Comissão constituída para esse fim, estão em fase final de apuração", informou ainda a nota oficial.Cruz ficou preso de 9 a 11 de janeiro na sede do Ministério Público acusado de contratar pistoleiros para matar seu colega procurador, Mauro Campbell, que seria seu adversário à eleição do novo procurador-geral do Estado. Cruz nega ter tramado a morte do colega.Na semana passada, o presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, Antonio Fernando Souza, designou os conselheiros Hugo Cavalcanti e Janice Ascari para acompanharem as investigações na Procuradoria Geral de Justiça do Amazonas. Os conselheiros ficaram reunidos durante todo o dia com os procuradores amazonenses.Campbell, na sexta-feira, entrou com processo no Conselho Nacional do Ministério Público contra Cruz. No pedido de providências Campbell requer o imediato afastamento de Cruz de suas funções institucionais e a aplicação de pena disciplinar.Estão presos pela Polícia Civil os dois supostos pistoleiros contratados para matar Campbell, Franklin Martins, o Frank, a principal testemunha de acusação de Cruz, e o ex-policial militar Lenílson Braga da Silveira, o Carioca. Em depoimento no sábado, Carioca acusou Cruz de tê-lo contratado como parte de trama para matar Campbell. Élson Moraes, o suposto intermediário na contratação dos matadores, está sendo procurado pela polícia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.