Procurador acha que é bom "colocar ACM na roda"

Ciente da guerra política que setrava no Congresso Nacional em torno da gravação que fez de uma conversa com osenador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o procurador da República Luiz Franciscode Souza disse nesta segunda-feira que a repercussão em torno do fato mostra que ?a coisa está boapara o País?, pois acredita que ajudou a ?colocar ACM na roda.? Na visão doprocurador, ?quanto mais abrir as informações, melhor.? Nesta segunda-feira, o procurador enviouofício ao Senado pedindo para depor quinta-feira, depois que for conhecido o laudoda fita.Souza acredita que, aos poucos, a atenção da imprensa não ficará mais sobre osautores da gravação, ele e mais dois procuradores da República. ?Espero que a coisavá para o Senado.? A ?coisa?, neste caso, é o batalhão de câmeras que o perseguemtodos os dias, conforme ele definiu. Para Souza, ACM é que tem de explicar ao País oconteúdo das fitas. O procurador não consegue ver no espelho um vilão. ?O vilão équem faz trem errado.? Ao contrário: ?Ajudo a expor a corrupção.? O procurador nãovê motivos para ser investigado pelo procurador-Geral da República, GeraldoBrindeiro, que solicitou cópia da fita. ?Minha vida não tem nada de errado.? Souzase sente ?traído pela confiança estúpida? que disse ter atribuído a parcela daimprensa, que agora o investiga. ?Não estou bem.?A mesma pressão que diz estarsentindo da imprensa, Souza não sente do Palácio do Planalto. ?E eles podem me fazerpressão??, questiona.Nesta segunda-feira, a Associação Nacional dos Procuradores da República divulgou notaoficial afirmando que ?a gravação do teor de conversas por um dos interlocutores nãoconstitui fato ilícito?, entendimento que teve a partir de jurisprudência do SupremoTribunal Federal (STF). A associação acredita que o debate sobre questões éticas arespeito da gravação poderá fortalecer a postura institucional do MinistérioPúblico.A ?eventual discordância? quanto a procedimentos adotados por qualquer membro doMPF, segundo a nota oficial, ?não pode servir de pretexto para desacreditar-se ainstituição perante a opinião pública? e nem ser usada ?para alimentar o discurso de?perseguição política? daqueles que estão sendo processados pela prática de gravescrimes ou atos de improbidade administrativa.?Além de Souza, o Senado deve ouvir naquinta-feira o foneticista Ricardo Molina, que prepara o laudo da fita. Souzainformou no seu ofício que ?não parece prudente utilizar a memória para efetuar ointegral resgate do diálogo? e sugere que primeiro seja conhecido o conteúdo dafita. ?Ficarei muito honrado em atender a novo convite.? Guilherme Schelb e ElianaTorelly, que também presenciaram a conversa com ACM, devem ser ouvidos pelossenadores na sexta-feira. O MPF reúne nesta terça-feira seu Conselho Superior, mas não confirmouse vai abordar a iniciativa dos procuradores de gravar fitas.

Agencia Estado,

05 de março de 2001 | 22h17

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