Procura por atendimento antidrogas aumenta 283%

A busca por atendimento no Conselho Estadual Antidrogas (Cead) subiu 283,5% de 1999 para 2000. O número de mulheres com dependência química que procuraram o (CEAD) cresceu 123,6% no ano passado em relação a 1999, enquanto a quantidade de homens atendidos foi elevado em 73%. Entre as mulheres, houve aumento de 232% no consumo de medicamentos, principalmente de tranqüilizantes. Em 1999, 172 mulheres e 1.012 homens se trataram no conselho pela primeira vez. No ano seguinte, foram 384 mulheres e 1.757 homens.De acordo com o presidente do conselho, Murilo Asfora, cerca de 22 mil pessoas foram assistidas por sua equipe em 2000. Ele atribuiu o crescimento da demanda ao alto índice de recuperação dos dependentes que passam pelo Cead e à divulgação do serviço. "As drogas mais consumidas continuam a ser álcool, cocaína, maconha, medicamentos e tabaco, nesta ordem", disse Asfora.De acordo com a psicóloga do Cead, Sabine Cavalcante, a maior quantidade de homens atendidos (65% do total) se deve ao fato de eles recorrerem mais às drogas do que elas e também ao medo que a mulher tem de sofrer preconceitos caso assuma sua dependência química. "A mulher reluta em procurar ajuda, mas, quando adere ao tratamento, leva muito mais a sério do que o homem", ressalvou a psicóloga. A dependência mais comum entre os homens é de álcool.Projeto - O presidente do conselho encaminhou ao cardeal arcebispo do Rio, d.Eugenio Sales, um projeto de abrigar mulheres vítimas de violência praticada por homens dependentes químicos. A idéia é protegê-las do agressor e oferecer tratamento psicológico, além de conforto espiritual. "O ideal é que o abrigo fique num convento, para que as mulheres sejam resguardadas", disse Murilo Asfora, que aguarda resposta de d. Eugenio. O Cead ficaria responsável pelo recrutamento de profissionais da área de saúde que cuidariam das vítimas.

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