Justiça Federal de AL/Divulgação
Justiça Federal de AL/Divulgação

'Processo grita o nome de Talvane', diz advogado do caso Ceci Cunha

Acusação mostrou que ligações do ex-deputado federal, apontado como mandante do crime, foram ratreadas e correspondem ao trajeto até o ponto onde carro usado na fuga foi incendiado

Tiago Décimo, enviado especial de O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2012 | 15h33

MACEIÓ - O terceiro dia de julgamento dos acusados de participar do assassinato da deputada alagoana Ceci Cunha e de três familiares, em 16 de dezembro de 1998, começou com as argumentações finais da acusação.

 

O procurador federal Rodrigo Tenório e o advogado da família das vítimas, José Fragoso, não chegaram a usar as três horas a que tinham direito - foram duas horas e 46 minutos de apresentações de documentos e discursos.

 

No tempo, a acusação tentou colocar todos os envolvidos - o ex-deputado federal Talvane Albuquerque Neto, apontado pelo Ministério Público Federal como mandante, e quatro assessores, Alécio César Alves Vasco, Jadielson Barbosa da Silva, José Alexandre dos Santos e Mendonça Medeiros da Silva - na cena do crime e desqualificar as alegações da defesa.

 

"Nem precisaríamos de tanto tempo, porque as provas são contundentes", disse Fragoso. "É difícil reunir provas contra o autor intelectual de um crime, mas em 17 anos de trabalho não conheço processo que grite o nome do acusado como este. O processo grita o nome de Talvane Albuquerque."

 

Durante a apresentação, foi apresentado o rastreamento das ligações dos celulares identificados como sendo dos suspeitos, feitas pouco antes e pouco depois do crime. De acordo com a acusação, todas as chamadas foram realizadas ou recebidas pelos acusados no trajeto seguido por Ceci Cunha e no caminho até o ponto onde o carro usado para a fuga, um Fiat Uno, foi incendiado. Talvane teria monitorado toda a ação por meio do telefone.

 

Tenório também desqualificou as alegações de que houve tortura, por parte de policiais federais, para que houvesse confissão, apontando que alguns dados contados pelos suspeitos nas confissões não haviam sido descobertos até o momento dos depoimentos (só foram confirmados pelas investigações meses depois).

 

Depois da apresentação da acusação, foi feito um recesso de dez minutos, antes do início da apresentação da defesa, que também tem direito a três horas para argumentar e mostrar provas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.