Processo contra Dirceu não afetaria o governo, diz Lula

Em entrevista exclusiva, presidente mostra que julgamento do mensalão causa desconforto

Tânia Monteiro, Vera Rosa, Rui Nogueira e Ricardo Gandour, do Estadão

25 de agosto de 2007 | 13h38

A volta do mensalão ao noticiário causa algum desconforto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Um dia isso vai acabar", desabafou ele na primeira entrevista exclusiva ao Estadão desde que chegou ao poder, em 2003. Mas Lula afirma que não há impacto sobre seu governo, nem mesmo na hipótese de o Supremo Tribunal Federal (STF) abrir processo penal contra o amigo e ex-ministro José Dirceu. "Causa impacto para ele. No governo, nenhum."  O que ficou da investigação do mensalão, no seu primeiro mandato? Ficou o seguinte: quem erra paga. Houve uma denúncia, que foi apurada. Saiu do Congresso e foi para o Ministério Público, que fez a sua parte. O MP pediu indiciamento. Foi para o Supremo, que decide ou não se acata o indiciamento. E aí as pessoas serão processadas em função de novas provas e novas investigações. Tem gente que acha que isso é um trauma. Para mim, não. Para mim, isso é um canal de desobstrução da democracia brasileira. Quem errou, presidente? Eu não sei quem errou. O PT errou? O PT não errou. Eu acho que pessoas do PT podem ter errado. O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) errou? Não me perguntem, eu não sou juiz. Eu acho que quem errou pagará pelo erro que cometeu. Agora, o que eu quero para mim, para os meus amigos e para os meus adversários é que todos tenham direito à defesa. Até hoje, o sr. não disse quem o traiu.Nem vou dizer. Porque não é necessário. O PT não merecia passar pelo que passou. E isso faz parte da história contemporânea do País. Não faz parte do passado, não. Este julgamento no STF pode ser considerado um julgamento do seu primeiro mandato? O governo já foi julgado (nas urnas). E vitoriosamente. O sr. teve indícios do mensalão? Não. Não. Eu quero ver o resultado do julgamento, quero ver o processo. Isso vai terminar um dia. Eu acho determinadas coisas abomináveis. Entretanto eu, como presidente da República, sou obrigado a esperar para ver. Eu fico imaginando alguém imaginar que o Professor Luizinho, que era líder do governo, precisava de receber dinheiro para votar com o governo. Mas, como ele pegou R$ 20 mil, ele entrou no mesmo bolo, como entraram outros. Eu acho isso abominável. Na entrevista exclusiva, o presidente falou também sobre as eleições de 2010, reforma política e crise aérea. Leia na edição deste domingo do Estadão.

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