Processado por Cardozo, José Aníbal reitera acusações contra ministro

Secretário de Energia de São Paulo chama de 'deliquência' o relatório da Polícia Federal que aponta envolvimento de tucanos no escândalo do cartel do metrô; 'Não tenho temor de processo', disse

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

23 Dezembro 2013 | 20h14

Brasília - O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, disse nesta segunda-feira, 23, que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, participou de uma operação para "forjar" relatório encaminhado à Polícia Federal apontando o envolvimento de tucanos no escândalo do cartel do Metrô de São Paulo. "É delinquência o que fizeram contra nós, uma coisa de aloprados", afirmou Aníbal.

Cardozo entrou recentemente com processo por injúria contra Aníbal, que o chamou de "vigarista, acobertador de falsários e sonso" após vazamento de investigação da Polícia Federal sobre o cartel de trens e Metrô em governos do PSDB. "Mantenho tudo o que disse e acrescento: o ministro da Justiça deveria ter compostura. Não tenho temor de processo. Tenho pena dele", insistiu o secretário de Energia.

Aníbal chamou o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer - autor da denúncia sobre fraude e cobrança de propina - de "desqualificado" e "bandido". Sugeriu, ainda, que Rheinheimer foi instruído pelo PT. "Não vou descansar enquanto não puser esse desqualificado na cadeia", disse ele. "Ninguém consegue encontrar esse bandido. Só o PT".

O inquérito do caso Siemens está agora no Supremo Tribunal Federal. O Estado revelou que, em depoimento sigiloso prestado à Justiça de São Paulo, o ex-diretor da Siemens citou Aníbal e outros secretários de Alckmin, como Edson Aparecido (PSDB), chefe da Casa Civil; Rodrigo Garcia (DEM), titular de Desenvolvimento Econômico, e os deputados Arnaldo Jardim (PPS-SP) e Campos Machado (PTB) como destinatários da propina do cartel. Todos negam as acusações.

"Isso tudo saiu do território da política, da disputa entre PSDB e PT, e foi para o da delinquência", afirmou Aníbal. Cardozo preferiu não responder ao secretário. "Não vou discutir em nível tão baixo", disse o ministro. "Minha resposta será sempre promover processo criminal contra aqueles que me injuriarem."

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