Problemas de campanha e equipe explicam crise

Fatores de risco político na montagem da campanha e crises no governo criadas por assessores de confiança no fim do ano podem ter contribuído para a hipertensão do presidente Lula. Auxiliares identificam sinais de que ele está ansioso para resolver logo a aliança que vai compor a chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sua sucessão. Tanto é que, embora tenha combinado que só trataria da retirada da candidatura de Ciro Gomes em março, um pouco antes de ser levado às presas para o Real Hospital Português, no Recife, Lula tentava dar uma solução para o tema com o presidente do PSB, Eduardo Campos, também governador de Pernambuco.

João Domingos, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2010 | 08h05

 

Quanto aos problemas internos, o presidente teve de administrar crise com os militares depois das férias, por causa da insistência do secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, em criar a Comissão da Verdade, prevista no Programa Nacional dos Direitos Humanos. Lula teria comentado que não dá para descansar quando sua própria equipe inventa encrencas, informou um auxiliar.

 

VAGA DE VICE

 

Lula está preocupado com a manutenção da candidatura de Ciro Gomes por avaliar que o deputado e Dilma subtraem votos um do outro. Ao mesmo tempo, ele tenta encontrar um jeito de fazer do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o vice de Dilma - sem poder expor a ideia, para não magoar o presidente do PMDB, Michel Temer, que luta pela vaga.

 

O presidente tem "carregado" Dilma a tiracolo para dar-lhe o máximo de visibilidade possível. O fato de ter chamado o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), de "babaca", na reunião ministerial da semana passada, é analisado como indicador de nervosismo por parte de Lula, que não costuma se referir assim a adversários.

 

De acordo com informações de bastidores, no Planalto, dona Marisa Letícia, mulher de Lula, o pressionou a fazer os exames hoje, no Incor, em São Paulo. Ela quer que ele diminua o número de viagens. Mas Lula não parece disposto a mudar muito o ritmo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.