‘Problema burocrático’ adia decisão do Conselho de Ética sobre Pimentel

Órgão da Presidência atrasa encaminhamento de ofício sobre apreciação de negócios de consultoria do ministro do Desenvolvimento

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2012 | 14h11

BRASÍLIA - Um suposto "problema burocrático" atrasou o encaminhamento de ofício solicitando esclarecimentos ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, o que levou ao adiamento da apreciação dos casos envolvendo os negócios de consultoria do ministro e o fretamento de um jatinho para viagem na Europa. A informação é do presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, Sepúlveda Pertence.Os conselheiros estão reunidos nesta segunda-feira, 2, no Palácio do Planalto.

Na última reunião, em junho passado, o conselheiro Fábio Coutinho defendeu a imposição de uma advertência a Pimentel, por conta de seus milionários negócios de consultoria.  Apesar do voto favorável de Coutinho e da conselheira Marília Muricy, os demais membros da comissão optaram por pedir mais esclarecimentos a Pimentel - foi a terceira vez que o ministro teve de dar explicações sobre as consultorias.

Questionado se a decisão sobre Pimentel sairia nesta terça, Pertence comentou: "(Houve) problemas burocráticos, um dia a secretária viajou, eu viajei no outro e isso atrasou (o encaminhamento do ofício)." Segundo Pertence, o ofício foi encaminhado apenas na semana passada, mas ele não soube informar em que data.

Um dos auxiliares mais próximos da presidente Dilma Rousseff, Fernando Pimentel tem 10 dias após o recebimento do ofício para prestar os esclarecimentos solicitados. "Só sei que o prazo está correndo, minha filha, e se houve atraso, foi nosso, não dele. Só há poucos dias os ofícios foram mandados", afirmou Pertence.

A oposição vê semelhanças entre a situação de Pimentel e a do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que saiu do governo devido à denúncia de ter o patrimônio ampliado em 20 vezes após a prestação de serviços de consultoria. Pimentel é alvo de denúncias de que sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010. Há suspeitas de tráfico de influência.

Indagado se o suposto problema burocrático não favoreceria Pimentel, Pertence respondeu: "Você faz a interpretação que quiser. Críticas vocês façam como quiserem".

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