‘Problema a gente via, mas vai fazer o quê? Era empregado’, diz ex-funcionário de funerária

Vicente Ricardo de Jesus conta que transportava merenda no mesmo veículo que levava cadáveres

Fabio Leite, do Jornal da Tarde,

16 de janeiro de 2011 | 23h00

Vicente Ricardo de Jesus, ex-funcionário da Velório e Funerária Pindamonhangaba, afirmou que fazia transporte de merenda escolar com o mesmo veículo que transportava cadáveres à noite. A Prefeitura diz que o carro que transporta a merenda "é do mesmo modelo e da mesma cor do carro funerário".

 

Você trabalhou com o Luca?

Ele é meu ex-patrão.

 

 

E você fazia o que lá?

Eu entregava merenda.

 

 

Mas qual era a sua função?

Eu era funerário. Mexia com cadáver, com corpo. A gente arrumava o corpo e transportava.

 

 

E também levava merenda?

Entregava merenda de dia e trabalhava à noite no serviço funerário.

 

 

Mas com o Lucas?

Não, com a Verdurama. Mas o transporte era do Lucas. Uma caminhonete e uma Sprinter.

 

 

 

A mesma caminhonete que usava para transportar cadáver?

Justamente. Todo mundo sabia. A Secretaria de Saúde, a Prefeitura. É porque transporta aquelas panelas meio grandes, aí é fogo, né?

 

 

 

Você não via problema nisso?

Problema a gente via direto, mas vai fazer o quê? Eu era apenas empregado, o mais baixo.

 

 

Quando começou?

Trabalhei quatro anos, antes não entregava merenda. Mas é fácil de levantar. É só ligar na Verdurama e pedir notas porque a gente tirava notas, quilometragem, escola, quantidade de merenda. Tudo por escrito.

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