Privatização baixou custo de operação em Santos

"Antes da privatização, a operação de um contêiner no Porto de Santos custava cerca de R$ 500; hoje está em torno de R$ 250 e a nossa meta é que esse valor baixe ainda mais." A promessa é do diretor-presidente da Codesp, Fernando Barbosa Lima Vianna, que hoje dirige uma empresa com papel apenas estratégico de administradora e autoridade portuária, cuidando da implantação de projetos de infra-estrutura básica, manutenção das profundidades do estuário e fiscalização do cumprimento das normas legais e de segurança.Vianna aposta no êxito do Projeto Santos 2000, que tem por objetivo preparar o porto para um aumento substancial no fluxo de cargas, passando dos atuais 42,6 milhões para 50 milhões de toneladas por ano. Para tanto, a Codesp já privatizou cerca de 60% de uma área de 7,7 milhões de metros quadrados. "Esses arrendamentos deverão atrair cerca de R$ 1 bilhão em investimentos privados", prevê, observando que as áreas arrendadas e aquelas em processo de licitação já atingem 72,15% da meta prevista.Com o Programa de Arrendamentos e Parcerias (Proaps), desenvolvido no Projeto Santos 2000, 42 áreas já foram licitadas e recebem investimentos privados. Esses arrendamentos já garantiram cerca de R$ 635,1 milhões em investimentos. Encontram-se em processo de licitação outras duas áreas: um terminal com 140 mil metros quadrados e outro de 161.800, para operação de fertilizantes.Hoje, o Porto de Santos conta com quatro terminais especializados para contêineres, cinco para suco de laranja, cinco para açúcar, três para trigo, dois para soja em grão e farelos de origem vegetal, dois para papel e celulose; três para granéis líquidos (derivados de petróleo, álcool e produtos químicos), um para granéis sólidos em geral (Saboó), dois para fertilizantes e um para passageiros.Atualmente, a Codesp tem pré-qualificados 102 operadores portuários, empresas privadas que executam as atividades de embarque e descarga de mercadorias, funções que, durante nove décadas (de 1890 a 1980) foram desenvolvidas por uma concessionária particular, a Companhia Docas de Santos, e até 1997 pela própria empresa, uma estatal vinculada ao Ministério dos Transportes.O processo, porém, nunca se desenvolveu de maneira pacífica: "Não bastava apenas privatizar", lembra Vianna. "Mas sim quebrar o monopólio das operações, estimulando a competitividade a fim de permitir a redução dos custos portuários e o aumento da eficiência." Essa redução começou em setembro de 1996 com a modificação da estrutura tarifária, que permitiu a competição entre operadores portuários. Além de diminuir o número de tabelas que compõem a tarifa portuária de 15 para apenas cinco, a Codesp reduziu suas taxas em 60% em média, chegando algumas delas a cair 89%.De fato, esses reflexos se fazem sentir ainda mais nos períodos de escoamento de safras agrícolas importantes, como a de soja, farelos e açúcar, que elevam bastante a movimentação de cargas no Porto de Santos durante o segundo semestre. "Um navio para 14 mil toneladas que, antes da privatização, levava em média 20 dias para embarcar a sua carga de açúcar hoje não passa no porto mais do que quatro dias", exemplifica o diretor-presidente. Mais: pelo processo convencional com guindastes utilizado antes da privatização, um navio porta-contêiner levava, em média, dois dias para embarcar sua carga. Agora, faz tudo em apenas dez horas.Naturalmente, o processo de reestruturação passou também por um redimensionamento da força de trabalho e recolocação de pessoal. Em setembro de 1997, a Codesp dispunha de um quadro de 5.180 trabalhadores. Hoje, são 1.246 funcionários. A maior parte passou a ser cadastrada e registrada no Ogmo, que reúne 11.111 trabalhadores, entre estivadores, conferentes, vigias, rodoviários, consertadores e outras categorias.Todas essas transformações levaram a Codesp a comemorar, no fim do ano, um novo recorde de movimentação de cargas. Foram 43.084.383 toneladas, número que superou o total de 1999, até então a melhor marca na história do porto. Com relação ao fluxo de carga, o total acumulado em 2000 registrou o maior movimento de importação já verificado em Santos. Já as exportações, embora tenham superado as importações ainda ficaram abaixo do verificado em 1999. A previsão é de que esses números sejam superados até o fim do ano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.