Prisões marcam início de megaoperação contra o narcotráfico

A Polícia Federal iniciou nesta segunda-feira talvez a principal ação contra o narcotráfico em todo o País, desencadeada em nove Estados e no Distrito Federal, onde foram decretadas as prisões preventivas e temporárias de 38 pessoas, sendo que algumas delas de traficantes conhecidos, como Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que se encontra recolhido no presídio de Bangu I, no Rio, seus dois advogados e o megatraficante Leonardo DiasMendonça, procurado pela Justiça dos Estados Unidos.Durante as investigações, a PF encontrou indícios do envolvimento de políticos e integrantes do Poder Judiciário com o crime organizado. A apuração, que vem sendo feita há três anos, poderá desencadear uma série de novas prisões nas próximas horas.A operação Dimante, como foi apelidada, estava sendo planejada para os próximos dias, mas o medo do vazamento das informações fez com que o juiz federal de Goiânia, José Godinho Filho, antecipasse os pedidos de prisão.Entre os que foram presos nesta segunda-feira estão José Antônio de Souza, funcionário do gabinete de um deputado federal, Leonardo Dias Mendonça, Helder Brito Barros, Plínio Teixeira Coelho, Carlos Eduardo Pereira, Antonio Carlos Ramos, Luiz Antonio Gonçalves de Abreu, Wilson Moreira Torres, Antonio Nunes Macedo, Joaquim Francisco de Lima, Vicente de Paulo Lima, Wiler da Silveira, Wanderley Tertulino, Edmilson Aires de Oliveira, Jânio Resende de Castro, Francisco Olímpio de Oliveira, Helder Dias Mendonça - irmão de Leonardo -, Henrique Bartolomeu Barros, Eli Tavares Lamounier, Adilson Ribeiro, Denis Gonçalves e Amauri Perez.Tanto Denis Gonçalves como Perez já haviam sido autuados pela PF por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, mas estavam em liberdade por decisão judicial. Perez foi preso em São Paulo e é encarregado dos negócios de Fernandinho Beira-Mar no Estado, principalmente transações com imóveis e outros bens.Mas o ponto principal das investigações foram revelações obtidas pela Polícia Federal que mostram relações entre políticos e traficantes, além de integrantes do Poder Judiciário. "Pode ser que haja juízes que não tenham relação direta com o narcotráfico, mas há possibilidades dealguns terem com a libertação deles", diz uma fonte que participou das investigações.Durante três anos a PF fez diversos monitoramentos telefônicos, verificando a relaçãoentre diversas pessoas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Roraima, Amazonas, Maranhão, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás e Tocantins. Um trabalho de inteligência policial mostrou que, apesar de espalhados, tratava-se de um único grupo, mas com negócios diferentes.Na cabeça estavam Leonardo Dias Mendonça e seuirmão Helder, conhecido como "Segundo", por estar na vice-liderança na quadrilha, atrásapenas de seu irmão. Além disso, em outra ponta aparece Beira-Mar, que tem negócioscom Leonardo, a quem prometeu matar se o mesmo não saldar uma dívida de US$ 1,3 milhão de venda de cocaína.Tanto Beira-Mar quanto Leonardo tinham negócios com a Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), onde armas eram trocadas por cocaína.Na outra ponta, segundo indicam até agora as investigações, estão pessoas influentes,que também podem ser presas a qualquer momento.Fontes da PF afirmaram que a Operação Diamante não tem término e será desenvolvida em outros Estados, como o Tocantins, onde Leonardo e outros presos teriam negócios.

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