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Prisão preocupa Planalto e alimenta fogo cerrado político

A prisão de Marcelo Odebrecht em mais uma fase da Operação Lava Jato preocupa demais o PT e o Palácio do Planalto, justamente num momento em que a presidente Dilma Rousseff monta uma "agenda positiva" para tentar sair da crise político-administrativa que amarra o início deste seu segundo mandato. O efeito imediato das prisões ocorridas nesta sexta-feira, 19, será enterrar qualquer possibilidade de a pauta governista prevalecer sobre o noticiário relativo às investigações. A avaliação entre os petistas e até entre a oposição é que esta nova leva de prisões tem potencial para ser a etapa mais "politizada" da Lava Jato, amplificada por repiques das revelações feitas pela Polícia Federal na CPI da Petrobrás.

Alberto Bombig, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2015 | 14h20

O fator que acentua em relação às fases anteriores da operação Lava Jato é simples: Marcelo Odebrecht é o executivo de empreiteira mais próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o homem-forte do PT, e usou dessa relação para ter acesso ao partido e ao governo. No ano passado, Dilma recebeu o executivo ao menos duas vezes no Planalto, sob o pretexto de se reaproximar dos empresários brasileiros. Nas duas ocasiões, a Operação Lava Jata já estava a pleno vapor. Segundo interlocutores da presidente, para marcar os dois encontros, Dilma atendeu a sugestões de Lula. 

A ligação entre o executivo e o ex-presidente vem desde o primeiro mandato de Lula 92003-2010) e rendeu, por exemplo, um estádio para o clube do coração de Lula, o Corinthians. O projeto da Arena Itaquera, na zona leste de São Paulo, foi encampado e colocado em pé pela Odebrecht após um pedido do petista feito diretamente a Marcelo. Quem "tocou" a obra junto com a construtura foi o deputado federal Andres Sanchez (PT-SP), dirigente do clube e também amigo de Lula.

Essas relações perigosas não se limitam ao futebol, e esse é outro fator de muita preocupação para o PT e para o governo. Nos últimos anos, Lula se transformou numa espécie de "embaixador" da Odebrecht pelo mundo, seja em viagens bancadas pela empreiteira ou até mesmo pelo governo brasileiro, como ocorreu em 2011. A Odebrecht e a Andrade Gutierrez, outra empreiteira alvo desta fase atual da Lava Jato, também bancaram palestras do ex-presidente.

Por tudo isso, a relação entre Lula e a Odebrecht entrou no radar da efervescente luta política-partidária brasileira. Ao perceber que estava bem no meio dessa disputa, Marcelo Odebrecht, executivo de poucas palavras em público, desabafou, em evento realizado nesta semana: "Estou irritado por estar na linha-de-fogo do embate político". A tendência, agora, é que esse fogo seja ainda mais cerrado.

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