Prisão debilita defesa de Dilma em comissão do Senado

Gleisi Hoffmann, mulher de Paulo Bernardo, é uma das integrantes da ‘tropa de choque’ da presidente na Casa

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2016 | 07h16

BRASÍLIA - A prisão preventiva do ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo trouxe uma preocupação extra ao núcleo político ligado à presidente afastada Dilma Rousseff. Paulo Bernardo é casado com a senadora Gleisi Hoffmann (PT-SC), que integra a tropa de choque de Dilma e é um de seus principais braços de defesa na comissão de impeachment no Senado.

A prisão dele, na avaliação de interlocutores de Dilma, enfraquece sua defesa durante os trabalhos e poderá selar seu destino na comissão. A presidente precisa de 28 votos de senadores para conseguir se manter no cargo – até ontem, o núcleo petista contabilizava 22 votos. O placar do Estadão aponta 18 votos a favor de Dilma.

Nove ex-ministros próximos de Dilma enfrentam problemas com a Justiça. Os ex-ministros da Casa Civil Antonio Palocci, Erenice Guerra, Gleisi Hoffmann, Aloizio Mercadante e Jaques Wagner; o da Previdência Carlos Gabas; da Fazenda Guido Mantega; das Relações Institucionais Ideli Salvatti e da Secretaria de Comunicação Edinho Silva. Apesar de assessores da presidente dizerem que Bernardo, que foi ministro de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não ser pessoa próxima da presidente afastada atualmente, não é o caso da sua mulher, Gleisi, que tem contato frequente com Dilma.

Oficialmente, o discurso petista afirma que a prisão de Bernardo em nada afeta a defesa no Senado. Mas não há como negar, a proximidade de Gleisi. “Temos de reconhecer que há um certo prejuízo, um impacto, mas as dificuldades criadas são momentâneas”, admitiu um auxiliar da presidente, acrescentando que ninguém sabe a extensão desse processo.

Além da prisão de Bernardo, a condução coercitiva de Gabas é outro problema, pela proximidade que tem com a presidente. Gabas foi atendido pela Comissão de Ética da Presidência da República e está sob período de quarentena. Em um domingo de agosto de 2013, a presidente Dilma driblou a segurança e saiu pelas ruas de Brasília como “carona” na moto de Gabas.

A preocupação com a prisão de Bernardo não se limita a Dilma, mas também a Lula. Assessores da presidente lembram que esse é mais um baque para o ex-presidente, já que o ex-ministro é muito ligado a ele e ao tesoureiro do partido João Vaccari Neto, que está preso pela Operação Lava Jato.

Outra preocupação dos petistas é com os reflexos dessa nova prisão nas eleições municipais, já que Bernardo é uma importante liderança do partido.

Ao falar sobre o enfraquecimento da defesa no Senado, um dos interlocutores de Dilma lembrou que Gleisi tem atacado reiteradamente o presidente em exercício Michel Temer e a sua equipe por conta das baixas causadas pela Lava Jato ao PMDB. A prisão de Bernardo enfraquece essa linha de defesa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.