Prisão de tesoureiro do PT terá reflexos no governo, avaliam assessores de Dilma

João Vaccari Neto foi preso na manhã desta quarta-feira acusado de captar dinheiro de origem ilícita para o PT desde 2004

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

15 Abril 2015 | 10h40

BRASÍLIA - A notícia da prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, pela Polícia Federal na Operação Lava Jato não foi considerada uma "surpresa" no Palácio o Planalto mas foi vista com um fato político negativo. Nas palavras de um interlocutor da presidente Dilma Rousseff, trata-se de "mais uma pedra nessa escadaria de desgaste que atinge o PT" e que, na sua opinião, também tem "algum tipo de reflexo no governo, que é do partido". 

No entanto, segundo os assessores de Dilma, não há preocupação de que as arrecadações feitas pelo PT nos últimos anos possam trazer implicações negativas ao governo ou que se tente fazer qualquer associação com doações à campanha presidencial em 2010 ou 2014. Na disputa de 2010, argumentam, quem cuidava da arrecadação era José Filippi Júnior e, em 2014, Edinho Silva, nomeado recentemente ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. A oposição já sugere que eventual descoberta de que a campanha presidencial do PT tenha recebido dinheiro desviado da Petrobrás poderia ser motivo de um processo contra Dilma por crime de responsabilidade com o impeachment como consequência. 


De acordo com essas avaliações internas no Planalto, a notícia da prisão de Vaccari, neste momento de instabilidade política, em que o governo precisa aprovar medidas importantes no Congresso, como  ajuste fiscal, "não é boa", "colabora com este clima instável" e é "mais um problema". Mas os assessores presidenciais tentam demonstrar total distanciamento dessas questões que são consideradas "embaraçosas", de qualquer forma.


Assessores da presidente também argumentam que a prisão de Vaccari dificilmente irá representar problema ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles reconhecem, no entanto, que Lula, como principal figura do PT, acaba contaminado politicamente pelo desgaste pelo qual o partido passa.


A presidente Dilma Rousseff já está no Palácio do Planalto, onde chegou por volta das 9h30. A presidente recebe na manhã desta quarta-feira representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). À tarde, às 15 horas, ela comanda a 14.ª Reunião do Conselho Consultivo do Setor Privado (Conex).

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