Dida Sampaio/Estadão
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Senadores dizem não ver abuso de autoridade na prisão de Temer

Randolfe Rodrigues, da REDE, diz operação mostra que 'ninguém está acima da lei' enquanto que petista Paulo Paim defende manutenção de operações anticorrupção; Para Márcio Bittar, correligionário do ex-presidente, 'sistema não poupou ninguém'

Teo Cury, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2019 | 14h23
Atualizado 21 de março de 2019 | 18h41

BRASÍLIA - O líder da minoria no Senado, senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) afirmou que a prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB) nesta quinta-feira, 21, representa um dia histórico no combate à corrupção no Brasil.

"É uma demonstração concreta de que ninguém está acima da lei. Não é o fim da corrupção no Brasil, mas é luz de lamparina na noite da impunidade. É um passo importante que tem que ser celebrado", disse.

"Os elementos para a prisão do senhor Michel Temer e do senhor Moreira Franco estavam colocados há muito tempo. É lamentável que isso não tenha acontecido antes, quando o doutor (Rodrigo) Janot, ex-procurador-geral da República, pediu e, por duas vezes, a Câmara Federal negou", comentou.

Randolfe negou que a prisão seja um abuso de autoridade. "Abuso de autoridade é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) querer processar senador pelas suas palavras. Prender corrupto não pode ser considerado abuso de autoridade. Há elementos para a prisão preventiva", disse. 

Mais cedo, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) considerou a prisão de Temer (MDB) "abuso autoridade" cujo reflexo é uma desmoralização "cada vez maior" da classe política. 

Já o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que recebeu "sem nenhuma surpresa" a notícia de prisão do ex-presidente. Segundo o senador, "é um fato previsto por todos aqueles que estão na vida pública". 

"Claro que não é bom para a imagem do Brasil perante os outros países e perante o mundo. Mas pau que bate em Francisco bate em Chico. Aqueles que provocaram essa situação estão sendo chamados a responder por seus atos. A linha do combate à corrupção tem que ser mantida, doa a quem doer. Mas tem que ser com enorme cuidado para que essas operações não cometam nenhuma injustiça", afirmou.

'Sistema não poupou ninguém'

O senador Márcio Bittar (MDB-AC), correligionário do ex-presidente Temer, disse a jornalistas nesta quinta que o sistema não poupou ninguém e que não há "partido santo". Na avaliação do senador, não houve abuso de autoridade.

"Aconteceu, aconteceu. Tem que absorver. Pensa em uma coisa que foi democrática: foi a apuração de irregularidades. Se tem uma coisa que ficou provada nesses anos todos é que o sistema não poupou ninguém. Não tem um partido santo. Um do bem e um do mal. Somos da ética e vocês não são", afirmou. 

De acordo com o Bittar, a apuração de irregularidades é uma lição para todos os políticos, de vereador a presidente da República. "A Justiça tem que funcionar. Vou soltar fogos? Não, como não soltei fogos quando o Lula foi preso. Você ter três ex-presidentes da Câmara presos, dois ex-presidentes presos. Isso é motivo para eu ter regozijo com isso? Não, mas a Justiça precisa funcionar."

A prisão de Temer tem como base a delação do doleiro Lúcio Funaro. No ano passado, Funaro entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) informações complementares do seu acordo de colaboração premiada. Entre os documentos apresentados estão planilhas que, segundo o delator, revelam o caminho de parte dos R$ 10 milhões repassados pela Odebrecht ao MDB na campanha de 2014.

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