Prisão de sem-terra leva a demissões no governo

O ouvidor Agrário Nacional, Gersino José da Silva e a a ouvidora-adjunta Maria de Oliveira, pediram exoneração, por causa da prisão de 16 integrantes do MST que invadiram a fazenda Córrego da Ponte, de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, desocupada hoje. Eles haviam empenhado suas palavras aos invasores de que ninguém seria preso, caso desocupassem a fazenda. AdolescenteO integrante da direção estadual do Movimento dos Sem-Terra (MST) Vicente Eduardo Soares de Almeida considerou irregular a prisão dos 16 manifestantes. Vicente disse que os sem-terra tinham, durante a madrugada, negociado a desocupação pacífica da fazenda, com a garantia de que ninguém seria preso, em conversas com o ouvidor agrário nacional Gersino José da Silva. "A primeira promessa foi descumprida no amanhecer do dia", reclamou Almeida, que acusa o governo de ter tomado uma "atitude política e terrorista contra os trabalhadores". Vicente informou que entre os presos está uma adolescente de 14 anos e que o MST está entrando em contato com advogados e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para decidir que providências tomar. O dirigente estadual explicou que há muito tempo o movimento vinha fazendo pressão pelo assentamento de famílias em Buritis, ameaçando ocupar a propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso. "A ação foi motivada pelo despreparo do governo em resolver os problemas do campo", disse Vicente, garantindo que a decisão de ocupar a fazenda foi tomada pelo MST local, sem consulta prévia ao MST nacional, mas que agora é "compartilhada por todo o conjunto". Segundo a versão de Vicente, os sem-terra foram para a fazenda porque os interlocutores do governo para negociar a pauta local não compareceram à audiência pública em Buritis, marcada para 21 e 22. "Não somos mendigos solicitando esmola?O dirigente estadual afirma que o governo federal está "banalizando a pauta social" ao alardear patrocínio de partidos políticos para a ocupação da Córrego da Ponte. "Não somos mendigos solicitando esmola, queremos que a reforma agrária se insira dentro do desenvolvimento econômico e social no Brasil", rechaçou. Ele também disse que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, mentiu ao informar que todos manifestantes que participaram da ação em Buritis já receberam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Segundo Vicente, pelo menos 80 famílias não foram assentadas. Vicente comentou ainda ter ficado preocupado com as declarações do ministro Jungmann, que classificou como ato terrorista a ocupação da fazenda da família de Fernando Henrique. "Relembra chavões da ditadura militar e fortalece a lógica de uso de militares contra os movimentos sociais", avaliou.

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