Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Prisão de Delcídio abala Planalto, que já discute escolha de novo líder no Senado

Senador petista vinha conduzindo as votações das medidas de ajuste fiscal na Casa

Vera Rosa, Tânia Monteiro, Isadora Peron e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2015 | 09h18

Brasília - Após a prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS), o Palácio do Planalto e o PT já começam a discutir um nome para substituí-lo na liderança do governo no Senado. 

Ministros do núcleo duro do governo e senadores do PT já discutem um nome para substituir Delcídio na liderança. A idéia é que o senador José Pimentel (PT-CE) acumule temporariamente o posto de líder do governo no Congresso e no Senado. Apesar da prisão ter pego todos de surpresa, a presidente Dilma Rousseff manteve sua agenda para esta quarta-feira, 25.

A prisão de Delcídio acontece num dia importante para o governo, que esperava votar nesta quarta-feira, 25, o projeto de alteração da meta fiscal. O mais provável, diante do clima de estabilidade, é que a sessão do Congresso seja adiada. 

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a prisão do senador petista depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de que ele tentava conturbar as investigações da Operação Lava Jato. 

A prisão abala o Planalto, uma vez que ele é líder do governo no Senado e vinha conduzindo as votações das medidas de ajuste fiscal na Casa. Delcídio tem bom relacionamento com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se reúne quase toda semana. 

Além de ver a investigação da Operação Lava Jato avançando sobre o governo, a prisão de Delcídio ressuscita o escândalo da refinaria da compra da refinaria de Pasadena, em 2006, quando Dilma Rousseff era ministra da Casa Civil. A refinaria foi comprada por preço superfaturado, segundo o TCU, e Dilma afirmou que autorizou a compra com base em um relatório produzido por Nestor Cerveró, então diretor da área internacional da Petrobrás. De acordo com a presidente, ela constatou depois que o relatório tinha falhas.

No governo, a prisão do senador Delcídio Amaral foi recebida com surpresa. Apesar de evitarem fazer juízo de valor em relação aos motivos da prisão, assessores do Planalto falam da surpresa da decisão da Justiça porque, em março passado, o senador petista havia sido excluído das investigações pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, embora lembrem que nesta terça, o pecuarista José Carlos Bumlai, que é de Mato Grosso do Sul, Estado de Delcídio, também foi preso.

Em março passado, a pedido de Janot, o STF decidiu arquivar uma investigação conta o senador Delcídio. O senador petista foi também diretor de Gás e Energia da Petrobrás, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando era do PSDB. 

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