Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Prisão de Cerveró é 'arbitrária', afirma advogado

Defesa nega ilegalidades em transações financeiras, apontadas pela procuradoria como justificativa para prender ex-diretor da Petrobrás

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2015 | 09h50

Rio - O advogado do ex-diretor Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, chamou de "totalmente arbitrária e ilegal" a decretação de prisão preventiva de seu cliente, detido na madrugada desta quarta-feira, 14, por volta de 0h30, ao desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Zona Norte do Rio. Segundo o defensor, se Cerveró foi preso pela transferência de três imóveis a familiares, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, também deveria ser detida.

"Se é verdade que houve essas transferências, e não posso afirmar que seja, essas movimentações são totalmente legítimas e legais. Na época em que ele as fez, não havia nenhuma restrição administrativa ou legal. Tanto que ele e a Graça Foster fizeram", disse Edson Ribeiro. "Se é crime para Nestor, é para Graça. Se o Ministério Público Federal pediu prisão para o Nestor por esse fato, deveria pedir para a Graça. Se não o fez, então está prevaricando."

O advogado disse que deve ir nesta tarde para Curitiba, onde está o ex-diretor da Petrobrás. No pedido de prisão preventiva, em que alega existirem "fortes indícios" de que o ex-diretor continue praticando crimes, o MPF afirma ter identificado transferências de R$ 500 mil para a conta de uma filha de Cerveró, além da transferência de três imóveis a familiares "em valores nitidamente subfaturados". A transação caracteriza, no entender da procuradoria, a continuidade da prática de crimes.

Ainda de acordo com o defensor de Cerveró, a quantia envolvida na movimentação financeira corresponde a "dinheiro legal, auferido através de salários e declarado ao Imposto de Renda". "Não existe nenhuma ilegalidade", afirmou o advogado, que disse ter conversado com o ex-diretor logo após a prisão. "Ele estava tranquilo, mas indignado com a situação, porque desde o primeiro dia se colocou à disposição de todas as autoridades e até agora ninguém se interessou em ouvi-lo. Ele nunca fugiu de nada."

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