Prisão de Bumlai parece interferência sobre Legislativo, diz deputado petista

Vicentinho afirmou que operação da PF no dia em que o pecuarista deporia à CPI do BNDES ' fez estranhar'

Ana Fernandes, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2015 | 18h23

O deputado Vicentinho (PT-SP) disse que a prisão do pecuarista José Carlos Bumlai pela Operação Lava Jato nesta terça-feira, 24, pareceu uma interferência sobre os trabalhos da Câmara. "A única coisa que me fez estranhar foi o fato de ele ser preso no mesmo momento em que ia prestar depoimento. Me pareceu interferência sobre o poder Legislativo, tomara que não seja", disse o parlamentar ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Bumlai prestaria depoimento à CPI do BNDES nesta terça-feira. Como ele foi preso preventivamente, a sessão foi cancelada. O depoimento de Bumlai foi reagendado para terça-feira, 1º após o juiz Sergio Moro se desculpar com os deputados da comissão e colocar o pecuarista à disposição para ser ouvido

Vicentinho disse que a Passe Livre, 21ª etapa da Lava Jato, não gerou preocupação na bancada petista, nem mesmo em relação à possibilidade de Bumlai fechar acordo de delação premiada. Bumlai é amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tinha livre acesso ao Planalto quando do governo dele. "Não tenho nenhuma preocupação de ele fechar delação. O que esperamos é Justiça. Se ele (Bumlai) falar do Lula, vai ter que provar o que falar", disse Vicentinho.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) também disse à reportagem não ver motivo para preocupação. "Não sei o que ele teria para delatar", afirmou. Mas reclamou da perseguição contra o PT.

"Só se investiga PT e Lula, não se investiga mais nada, basta ver o processo do 'trensalão' tucano, que está parado", disse Zarattini. O deputado também questionou o embasamento à prisão preventiva de Bumlai. "Foi mais uma prisão arbitrária, com objetivo de constranger, de provocar uma delação", afirmou o parlamentar ao argumentar que não há evidências de que o pecuarista estivesse destruindo provas, intimidando testemunhas ou tentando sair do País.

Zarattini admitiu que a prisão, assim como outros desdobramentos da Lava Jato, tem "consequências gravíssimas" para a imagem do partido. Mas disse que resta ao PT se defender e apontar os desequilíbrios.

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