Prisão de assassinos dos fiscais em Unaí alivia Berzoini

A prisão dos executores dos três fiscais do trabalho e do motorista, mortos durantefiscalização de rotina na região rural de Unaí (MG) em 28 de janeiro passado, tirou um peso das costas do ministro do Trabalho,Ricardo Berzoini. "Ainda falta a identificação plena do mandante, mas é motivo de satisfação para todos nós o fato de o crime nãoter ficado impune", declarou Berzoini.A mesma sensação de alívio tomou conta da secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela. Durante esses seis meses, Ruthse viu obrigada a mudar a rotina interna de trabalho e a chamar para a sua coordenação específica a fiscalização da região deUnaí e Paracatu, que até então ficavam subordinadas à Delegacia Regional do Trabalho de Minas Gerais."Nosso trabalho de fiscalização de rotina, tanto urbano quanto rural, é descentralizado, cabendo à Brasília diretamente apenas ocombate ao trabalho escravo, feito através das unidades móveis", explicou.De acordo com a secretária, a morte violenta dos fiscais foi um choque.O único caso de assassinato de um fiscal registrado no Ministério do Trabalho ocorreu na década de 80 numa empresa no interior de São Paulo. Ruth conta que, de uma maneira geral, apesar da tensão e das ameaças, muitasvezes implícitas, a fiscalização é exercida pacificamente, sem problemas."O risco é inerente à atividade do fiscal", disse. Assim como um dos fiscais assassinados, Nelson José da Silva, muitos outrosjá foram ameaçados por proprietários rurais e empresários urbanos. "Apesar do auditor (Nelson José da Silva) ter feito umrelatório relatando a ameaça, nem ele próprio levou a sério o episódio", observou. Segundo a secretária, todo fiscal tem o direitode pedir apoio policial para garantir o pleno exercício da sua atividade. Nelson José da Silva não solicitou esse apoio."O evento de Unaí acabou nos ensinando", disse Ruth. Ela contou que depois dos crimes realizou inúmeras reuniões com osfiscais. Ficou claro para a secretária que o procedimento tinha que ser mudado. Em comunicação interna aos colegas, elachamou a atenção para todos levarem a sério as ameaças e pedirem reforço policial sempre que necessário.Como os fiscais de Minas Gerais foram os mais atingidos pelo episódio, Ruth se convenceu de que teria que coordenar,pessoalmente, a fiscalização na região atingida pela tragédia.Por determinação da secretária, a fiscalização em Unaí passou a ser acompanhada de dois procuradores do trabalho e da políciafederal, procedimento geralmente só utilizado no combate ao trabalho escravo, o que não é o caso da região. No mês passado, foirealizada a primeira operação em Unaí após os crimes. Mais de mil trabalhadores foram registrados.

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