WILTON JUNIOR/ESTADÃO-4/7/2011
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Prisão de almirante não altera projeto de usinas nucleares

Governo planeja construir quatro unidades - duas no Nordeste e duas no Sudeste - até 2033; investimento previsto para cada uma é de US$ 5 bilhões

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2015 | 02h03

A prisão do almirante Othon Pinheiro da Silva altera o humor do plano nuclear civil do governo - todavia, não modifica em nada o projeto de construção de quatro novas usinas - duas no Nordeste e duas no Sudeste - até 2033. O respeitado técnico definiu com sua equipe da Eletronuclear que o parque atômico brasileiro precisa gerar 7.300 megawatts em 15 anos, atendendo ao crescimento de 3,5% na demanda de energia. O estudo, da primeira metade de 2014, falha ao estimar um aumento do PIB na ordem de 4,1%.

A política para o setor tem dinâmica própria. Os investimentos previstos para cada uma dessas novas quatro unidades é de US$ 5 bilhões, com vida útil estimada em 60 anos, e cerca de 180 meses de amortização. Até março, quatro grupos haviam manifestado interesse na parceria do empreendimento: os japoneses Mitsubishi e Toshiba (associado ao americano Westinghouse), o chinês CNNC/SNPTC e o russo Rosenergoatom. Nesse quadro bem amarrado, em que até o escritório regional do nordeste foi montado, só falta um componente, raro na crise - o dinheiro.

A vertente militar do projeto, da qual o almirante cuidou diretamente na fase do sigilo e imediatamente após segue sem ele. Em Iperó, cresce a estrutura do LabGen, o laboratório de testes do reator que vai impulsionar o submarino atômico nacional, aí por 2021 - o navio estará pronto para o mar três anos depois. Ao lado do prédio, de altura equivalente a de um edifício de 16 andares, está a fábrica de onde sairão 40 toneladas de urânio enriquecido a cada ano. E em algum lugar fora do alcance e das visitas, há a secretíssima instalação destinada à produção das centrífugas - de baixo custo, a tecnologia brasileira dessas máquinas é muito eficiente. As primeiras versões, desenvolvidas há 30 anos por Pinheiro da Silva, ainda funcionam.

Da implantação do Centro Aramar, na região de Sorocaba, até o funcionamento do primeiro conjunto de enriquecimento do urânio, no fim dos anos 80, foram gastos US$ 633 milhões. As atividades ficaram congeladas, virtualmente sem orçamento, até a retomada, em 2007. Em 2014, o total era próximo a US$ 2 bilhões.

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