Prioridade do Brasil é infra-estrutura, diz diretor do FMI

De Rato elogia economia e diz que país está preparado para enfrentar crise nos mercados.

Denize Bacoccina, BBC

23 de agosto de 2007 | 19h24

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, disse que a prioridade maior do Brasil para manter o crescimento da economia nos próximos anos é aumentar o investimento em infra-estrutura, com maior participação do setor privado.O país deve ainda, segundo ele, reduzir o custo da intermediação bancária para atrair o investimento privado necessário e garantir a eficiência do sistema regulatório."A necessidade de aumentar o investimento é a chave nos próximos anos, com maior eficiência do gasto público e aumento do investimento privado", afirmou De Rato em entrevista coletiva no Ministério da Fazenda, depois de ter se encontrado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.De Rato fez uma avaliação positiva da economia brasileira, depois de uma visita de dois dias que incluiu ainda um encontro na quarta-feira com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e com representantes do setor financeiro."A situação macroeconômica do Brasil é satisfatória", afirmou o diretor-gerente do FMI, que deixa o cargo no fim de outubro.De Rato destacou que o país soube aproveitar as condições externas favoráveis dos últimos anos para aumentar as exportações, reduzir a dívida pública e ampliar as reservas, aumentando a confiança na economia e protegendo o país de choques externos como o vivido atualmente no mercado imobiliário americano."O Brasil aproveitou (o momento favorável na economia) melhor que outros países emergentes . As perspectivas são favoráveis. A aplicação sustentada das atuais políticas macroeconômicas garantem o círculo virtuoso", afirmou De Rato.O fato de a agência de classificação de risco Moody´s ter elevado nesta quinta-feira a nota do Brasil, deixando o país a um passo do grau de investimento mostra, na avaliação dele, que a credibilidade do Brasil é alta.O diretor-gerente reafirmou que a crise nos Estados Unidos deve ter repercussão no crescimento, mas disse que embora seja muito cedo para medir este impacto, é certo que ele será diferente nos vários países. "No Brasil acho que não será importante. Em outros países emergentes pode ser", disse ele.De Rato disse que, embora não se saiba a dimensão da crise e se ela será transporta dos mercados financeiros para a economia real, o mundo está mais preparado hoje para lidar com uma crise, já que a economia mundial vive um momento de crescimento econômico elevado, com crescimento em vários regiões e não apenas nos Estados Unidos, baixa inflação e baixo desemprego."É preciso colocar a crise no contexto de uma economia mundial boa", afirmou.Ele também elogiou a atuação dos bancos centrais, que aumentaram a liquidez do sistema financeiro colocando recursos em circulação rapidamente, e disse que o FMI está preparado para liberar recursos para países atingidos pela crise."Temos uma disponibilidade muito alta, e ainda podemos contar com os recursos dos bancos centrais", afirmou, recusando-se a falar em valores.De Rato não quis comentar sua sucessão, marcada para o final de outubro. O candidato indicado pela União Européia é o ex-ministro das Finanças francês Dominique Strauss-Kahn.Na quarta-feira, a Rússia apresentou a indicação do ex-primeiro-ministro checo Josef Tosovsky para o cargo. O governo brasileiro disse que quer conhecer as idéia de Tosovsky.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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