Principal desafio do governador é reconstruir unidade no PSDB

Aliado de Serra diz que partido errou nas eleições de 2002, 2006 e deste ano por falta de ?racionalidade?

Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

06 de outubro de 2008 | 00h00

Vitorioso com a passagem de Gilberto Kassab (DEM) para o segundo turno da eleição paulistana, o governador José Serra deverá lançar mão de boa dose de pragmatismo para ajudar a colar os cacos do PSDB de olho no projeto de 2010, quando os tucanos almejam voltar para a Presidência da República.Se por um lado Serra buscará acalmar os ânimos do PSDB, por outro se dedicará à campanha de Kassab. O governador não deve se licenciar do cargo para atuar na disputa, mas gravará apoio no horário eleitoral no rádio e na TV, além de participar de forma mais efetiva, em eventos fora do horário comercial, da campanha do DEM.Ontem, pouco antes de votar, Serra almoçou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem discutiu o futuro do partido. Trabalhou também no bastidor, no fim de semana, como uma espécie de bombeiro: pediu a aliados que não cantassem vitória antes do tempo, evitando atiçar ainda mais a ira dos que apoiaram Geraldo Alckmin. A orientação geral foi: colocar panos quentes para evitar que as rachaduras do PSDB se tornem fissuras insanáveis. "Havia uma divisão no partido. Essa questão foi decidida pelo eleitor. Então agora é hora de nos unirmos com Kassab", disse o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. O desgaste nos últimos dias da campanha foi tão grande que se tornou missão impossível fazer com que Serra e Alckmin votassem juntos, como ocorrera nas últimas eleições. Será, portanto, árdua a tarefa de aproximação de ambos. Cara tanto para Serra em 2010 quanto para Alckmin, que ainda é um forte candidato para disputar o governo do Estado daqui a dois anos -, o tucano construiu forte cacife eleitoral no interior, o que contará a seu favor. "O PSDB já errou em três episódios: nas eleições de 2002, 2006 e, agora, 2008. Em todos os casos, faltou racionalidade. Não é possível que vamos repetir o mesmo erro em 2010", afirmou um aliado de Serra. Publicamente, no entanto, a tendência é que Serra busque discrição na tentativa de aproximação com Alckmin, delegando a interlocutores esse papel. "Acho que haverá uma avaliação das condições, depois movimentações", declarou o vice-governador Alberto Goldman. O PSDB carece de um candidato forte para disputar o governo do Estado em 2010. O problema é que o projeto de reconquista do Palácio do Planalto passa obviamente por São Paulo. Além de Alckmin, Nunes Ferreira e Guilherme Afif Domingos, que está no DEM, são nomes que podem se viabilizar até lá.Serra votou às 16 horas no Colégio Santa Cruz. Cercado por seguranças, ele não deu declarações. Houve confusão quando assessores tentaram evitar a aproximação de humoristas do programa CQC, da TV Bandeirantes. FRASESAloyzio Nunes FerreiraSecretário da Casa Civil"Havia uma divisão no partido. Essa questão foi decidida pelo eleitor. Então acredito agora que vamos todos unidos com Kassab"Alberto GoldmanVice-governador"Acho que haverá uma avaliação das condições, depois movimentações"

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