Primo de Renan foi laranja também em compra de fazendas

Jornal diz que fazendas negociadas pelo senador e seu irmão estão em nome de Tito Uchôa

10 de agosto de 2007 | 10h13

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), é mais uma vez acusado de usar laranjas em seus negócios. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o senador e seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB), negociaram duas fazendas em Alagoas, que foram registradas em nome de Ildefonso Antonio Tito Uchôa Lopes, primo de Renan.   Tito Uchôa também é apontado, pela revista Veja, como laranja do presidente do Senado na compra de duas emissoras de rádio em Alagoas.   Veja também: Cronologia do caso Renan     Veja especial sobre o caso Renan    Jorge Florentino dos Santos disse à Folha que negociou a Fazenda Sítio Lagoa 3, em 1995, com os irmãos Calheiros, por "uns R$ 120 mil", e que Tito Uchôa foi o "interlocutor da transação". Florentino recebeu, como parte do pagamento, duas salas no edifício Rui Palmeira.   Olavo declarou no Imposto de Renda de 1998 ter dado baixa, em 1996, em duas salas comerciais no edifício Rui Palmeiras, o que indicaria que ele estava envolvido na compra da fazenda. A certidão da fazenda estava em nome de Tito Uchôa até maio deste ano.   Já a Fazenda Alagoas, ainda segundo o jornal, foi vendida à Uchôa por R$ 600 mil, em 1998. Neste ano, Uchôa era funcionário da Delegacia Regional do Trabalho de Alagoas, com salário de R$ 1.390.   Seis anos depois, Renan declarou à Receita ter comprado a fazenda de seu primo por R$ 400 mil. Assim como no caso da Lagoa 3, até maio deste ano a propriedade estava no nome de Uchôa.   O antigo proprietário, Benedito Vieira da Silva, disse que suas terras eram vizinhas de fazendas de Renan. A Fazenda Alagoas teve origem na Lagoa 2, vizinha da Lagoa 3, comprada por Uchôa.   As fazendas na região foram valorizadas nos últimos anos. De acordo com a Folha, em 1999, Olavo declarou ao Incra que a terra nua da Fazenda Boa Vista, suspeita de ter sido grilada pelo deputado, valia R$ 260 mil. Em 2003, o Banco do Nordeste avaliou a terra nua da Boa Vista por R$ 1 milhão, o que significa uma valorização de 283%, e contrasta com a redução de preço informada por Renan ao declarar a compra da Fazenda Alagoas.   Em 2005, Renan foi denunciado ao Ministério Público Federal por seu primo Dimário Calheiros, por tê-lo usado como laranja.   Denúncias   Os negócios de Uchôa e dos Calheiros se confundem. O nome de Uchôa aparece como sócio de Renan Calheiros Filho em duas empresas de radiodifusão em Alagoas, avaliadas em cerca de R$ 2,5 milhões.   Renan é alvo de três representações no Conselho de Ética. A primeira, que está sendo investigada pelo conselho, é por suspeita de ter contas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior. Gontijo pagaria pensão a jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha fora do casamento.  O senador é acusado ainda de apresentar notas frias para comprovar renda.    A segunda representação, acatada nesta semana, ainda sem relator, é por suposto favorecimento a cervejaria Schincariol. O senador é acusado de interferir no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na Receita Federal para beneficiar a cervejaria. A empresa teria comprado uma fábrica do clã Calheiros em Alagoas com sobrepreço de mais de 500%.   A terceira representação, apresentada nesta semana à Mesa Diretora do Senado, cobra a apuração da denúncia de uso de laranjas para comprar emissoras de rádio. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM), anunciou na quinta-feira, 9, que irá apurar se as rádios são de fato do senador.    

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