Primeiros sinais serão decisivos para retomada da confiança

Questão fiscal é prioritária; País pode ficar sem trégua do investidor no início do mandato se não houver estratégia sustentável

Adriana Fernandes, Renata Veríssimo, João Villaverde e Célia Froupe, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 03h00

O baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) colocou a economia brasileira no pronto-socorro, o que exigirá uma agenda de emergência durante o período da transição para afastar o horizonte de crise. O novo governo terá de resolver questões sensíveis que ficaram na geladeira nos últimos meses para não prejudicar a campanha eleitoral.

Os sinais que o governo emitirá logo de início são considerados decisivos para aplacar as incertezas sobre o cenário econômico e abrir caminho para a recuperação do crescimento nos primeiros meses de 2015. De acordo com integrantes das duas campanhas, a recuperação da confiança geral no País é tida como “prioridade número 1”.

A agenda inclui, de imediato, o ataque à questão fiscal, um dos pontos de maior fragilidade do País diante da ameaça real de as contas públicas fecharem o ano com o pior resultado dos últimos 17 anos. Não está descartado o risco de se chegar ao fim de 2014 com superávit próximo de zero ou até mesmo déficit.

Levantamento feito pelo Estado lista pelo menos 15 problemas que precisam de solução até dezembro. Dependendo da velocidade de encaminhamento dessas matérias pendentes, a economia pode iniciar 2015 melhor ou pior.

Como efeito em cascata, o fraco desempenho do PIB impediu a alta da arrecadação, tornando complexas as promessas tanto de Dilma quanto de Aécio de “apertar o cinto”. Será preciso negociar a votação do Orçamento num quadro de previsão de crescimento menor (economistas do mercado esperam alta de apenas 1% em 2015). As receitas terão de ser recalculadas. E o impacto das medidas adotadas nos meses de eleição precisará entrar na conta.

Trégua. Sem uma estratégia sustentável, o próximo governo pode perder a trégua que sempre é dada pelos investidores em início de governo, apontam os especialistas. O risco será de um novo rebaixamento da nota do Brasil pelas agências de rating, o que afastaria o ingresso de capital externo.

Será preciso tomar decisões sobre duas reformas no campo tributário: ICMS e do PIS e Cofins. Outro ponto em suspenso é o reajuste dos combustíveis. A despeito das dificuldades financeiras da Petrobrás, o governo adiou o aumento da gasolina para depois das eleições.

Para reforçar a arrecadação, também está na mesa a possibilidade de aumento da Cide, tributo que incide sobre os combustíveis. O governo terá de buscar recursos para bancar o custo adicional de energia. Já se sabe que os R$ 9 bilhões previstos não serão suficientes.

Se não podem ter solução para já, outros problemas conjunturais terão de receber um norte, como a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% ao ano, a modulação da política monetária para equilibrar o crescimento do PIB e os preços sob controle, a intervenção no mercado de dólares, a crise da indústria e o apoio às exportações, para tirar a combalida balança brasileira do saldo comercial deficitário.

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