DIDA SAMPAIO|ESTADÃO
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Primeiro-secretário da Câmara descarta nova eleição para presidência da Casa

Beto Mansur defendeu que o vice Waldir Maranhão assuma o posto e afirmou que vai recorrer da decisão do STF de afastar Cunha; oposição pede novas eleições

Luciana Nunes Leal e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2016 | 20h13

BRASÍLIA - O primeiro-secretário da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), reagiu na noite desta quinta-feira, 5, à movimentação de partidos da oposição para promover nova eleição para presidente da Casa e evitar que Waldir Maranhão (PP-MA) continue no cargo de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Mansur descartou a realização de nova eleição. Também anunciou que a Câmara vai recorrer ao STF contra a suspensão do mandato de Cunha, por entender que houve interferência no Legislativo. O primeiro-secretário informou, porém, que ainda não está definido que tipo de recurso será encaminhado ao Supremo. “Vamos defender a preservação do mandato e estamos discutindo como será o recurso ao STF”, afirmou.

Sobre Maranhão, Mansur disse que o vice é o substituto de Cunha. “Ele foi eleito vice presidente, vai assumir a presidência da Câmara e vamos procurar ajudar nesse momento. A Casa precisa andar. Waldir Maranhão é deputado como todos os outros. Estamos discutindo a preservação da instituição”, disse Mansur, ao deixar reunião com líderes partidários em que foi discutida a possibilidade de nova eleição para presidente da Câmara.  Maranhão não participou da reunião. Líderes da oposição argumentaram que não teriam liberdade para defender a tese de nova eleição diante do presidente em exercício da Câmara.

Embora não queira que Maranhão ocupe o lugar de Cunha, o centrão, formado por PP, PR, PSD, PTB e Solidariedade, principal sustentação do presidente afastado, não aceita a tese de PSDB, DEM e PPS de que há vacância na presidência da Câmara. O argumento da oposição é de que Cunha foi afastado temporariamente, mas a ação penal a que responde no Supremo não será concluída até fevereiro de 2017, quando termina o mandato do presidente, o que significa na prática que o deputado não retornará ao comando da Câmara. Os aliados de Cunha querem evitar que cresça o movimento pela renúncia do presidente afastado. 

'Humanidade'. O líder do PP na Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro (PB), afirmou nesta quinta-feira que é preciso ter "humanidade" com Eduardo Cunha.

"É preciso ter humanidade. Hoje não foi um dia bom para a Casa", afirmou Ribeiro, após sair da reunião de líderes em que se discutiu alternativas para a presidência da Casa, após o afastamento do peemedebista. Por enquanto, o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), vice-presidente da Casa, segue na presidência interina.

Alguns deputados já falam em pressionar Maranhão a renunciar ao algo, sob a alegação de que o parlamentar "não tem condições" de presidir a Casa. Do mesmo partido de Maranhão, Aguinaldo defendeu que os deputados devem ter "senso de responsabilidade" com a Casa.

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