Primeiro aviador de guerra brasileiro morre antes do ataque final

Ricardo Kirk era pioneiro da aviação militar e tinha como missão participar de repressão aos rebeldes

Leonencio Nossa e Celso Júnior

11 Fevereiro 2012 | 18h00

O Contestado marcou o início do uso de aviões de combates no Brasil - e a estreia foi marcada por uma tragédia. O tenente fluminense Ricardo Kirk, formado na École d'Aviation d'Etampes, em Paris, de 39 anos, morreu na tarde de 1.º de março de 1915, quando o avião que pilotava - um aeroplano, motor 90HP, com asa para-sol - caiu durante o voo entre União da Vitória e Caçador.

 

 

A morte de Kirk, um pioneiro da aviação militar, pegou de surpresa os oficiais que se deslocavam para o reduto dos rebeldes. A princípio, a missão do tenente era fazer voos de reconhecimento das áreas tomadas pelos caboclos e auxiliar nas posições de tiro e no avanço da infantaria.

 

 

O general Setembrino de Carvalho, comandante da campanha, havia solicitado ao Ministério da Guerra o deslocamento do tenente Kirk para Santa Catarina ao avaliar que as tropas desconheciam o terreno.

 

O piloto, que fazia exibições públicas no Rio de Janeiro, viajou de locomotiva com dois aeroplanos. Num incêndio no trem, durante a viagem, uma das aeronaves foi destruída - mas Kirk conseguiu outros dois aparelhos e abriu campos de pouso em União da Vitória, Caçador e na Fazenda Claudino, de onde ele iria decolar para o reconhecimento de Santa Maria. Na propriedade, tomada por grandes araucárias, os militares estenderam lençóis em cima das árvores para identificar e sinalizar a proximidade da pista de pouso.

 

Após a morte de Kirk, os militares desistiram de usar aviões no conflito.

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