Primeiras viagens de Dilma serão para países vizinhos, EUA e China

Segundo novo ministro de Relações Exteriores, programa também inclui participação na Cúpula entre a América do Sul e os países árabes em Lima, em fevereiro

EFE,

02 de janeiro de 2011 | 18h17

As primeiras viagens ao exterior da presidente Dilma Rousseff serão "aos países vizinhos, aos Estados Unidos e à China", anunciou neste domingo, 2, o novo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. A primeira viagem deve ser para a Argentina na segunda semana de janeiro. 

 

"E cada vizinho na América do Sul receberá uma atenção crescentemente diferenciada", declarou Patriota depois de substituir Celso Amorim no cargo em cerimônia realizada no Palácio do Itamaraty.

 

Sem dar detalhes, Patriota disse que já conversou com a nova presidente sobre "um programa de viagens", que além dos países sul-americanos não identificados, dos Estados Unidos e da China, inclui sua participação na Cúpula entre a América do Sul e os países árabes, que será realizada em Lima, em fevereiro.

 

A cúpula "constituirá uma valiosa oportunidade de contato da Presidente com líderes da América do Sul e do mundo árabe", indicou o novo ministro das Relações Exteriores.

 

Em seu discurso, Patriota deu como exemplo dos objetivos da política externa de Dilma a relação entre Brasil e Argentina, "que vive hoje um momento de plenitude e avança em um vasto espectro de iniciativas que incluem áreas como a cooperação em matéria espacial e dos usos pacíficos da energia nuclear".

 

Segundo Patriota, o "destino comum" dos países sul-americanos exige conhecer "melhor a História, a demografia, o potencial econômico e a cultura uns dos outros - da Terra do Fogo à Ilha de Margarita".

 

O novo ministro ressaltou, no entanto, que "prioridade atribuída à vizinhança não se dará em detrimento de relações estreitas com outros quadrantes do Sul ou do mundo desenvolvido".

 

Também indicou que, "como a sétima economia do mundo, e havendo implementado um conjunto de políticas econômicas e sociais que têm produzido resultados tangíveis, o Brasil gera uma expectativa natural" de cooperação com os países da América Latina, Caribe, África, Oriente Médio e Ásia.

 

Além disso, reiterou que sua gestão será de continuidade e que o Brasil insistirá na necessidade de uma profunda reforma dos organismos internacionais, a fim de que dotar com maior representatividade os países emergentes e em desenvolvimento.

 

Entre esses organismos incluiu o Grupo dos 20 (G20), do qual disse que só conseguirá "consolidar sua autoridade se permanecerem sensíveis aos anseios e interesses dos mais de 150 países que não se sentam em suas reuniões".

 

Também com relação ao G20, disse que o Brasil manterá "contato" com a atual Presidência francesa do organismo a fim de "assegurar um ambiente propício" para a recuperação da economia global evitando "pressões protecionistas".

 

No mesmo ato, Amorim anunciou que, aos seus 68 anos, se retira "definitivamente" da atividade pública e assegurou que tem "a sensação de dever cumprido".

 

Amorim, que esteve à frente da Chancelaria desde janeiro de 2003 e foi o único ministro que acompanhou Lula em seus oito anos de Governo, destacou que nesse período o Brasil criou um novo "paradigma" em suas relações internacionais e assumiu o papel

"ativo" que jamais tinha tido na América Latina.

 

"Fui mais a Porto Príncipe que a Londres", destacou Amorim, que ressaltou que isso aconteceu "sem se descuidar" das relações com outros países, tanto do mundo em desenvolvimento como dos mais ricos.

 

Sobre Patriota, um de seus discípulos na diplomacia, declarou que se trata de "um intelectual brilhante, que comunga com o ideal de transformação"encarnado por Lula e que, complementou, continuará com Dilma.

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