Primeira sinagoga das Américas é reaberta

A primeira sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel, reabre hoje, 347 anos depois de ter sido fechada pela intolerância religiosa do império português. "A restauração e abertura do prédio resgatam um capítulo da história do povo judeu e preenchem uma lacuna na história do Brasil, mostrando a pluralidade da etnia brasileira", afirmou o presidente da Federação Israelita de Pernambuco, Boris Berenstein. Localizada na Rua do Bom Jesus (ex-Rua dos Judeus), no Bairro do Recife Antigo, na sinagoga passa a funcionar o Centro Cultural Judaico de Pernambuco, com uma exposição permanente sobre a história da presença judaica no Estado, no período de domínio holandês, de 1630 a 1654. A sinagoga foi inaugurada em 1637 e funcionou até 1654. Também estão expostas, através de vidros, as provas arqueológicas da sua existência, como os alicerces do prédio original e o Micvê - o poço e a piscina usados no ritual de purificação com banho de água corrente. No primeiro piso foi reconstituído o ambiente da sinagoga, com mobiliários e lustres inspirados nas sinagogas do século XVII, como as de Amsterdã e Curaçao. Não haverá culto religioso no local, que funcionará mais como um museu, mas Berenstein não descarta a possibilidade da ocorrência de práticas religiosas em ocasiões especiais. A reabertura ocorre dois anos depois de iniciado os trabalhos de restauração, que tiveram um investimento de R$ 1,2 milhão da Fundação Safra. O projeto de resgate da sinagoga data de 1989, na gestão do ex-prefeito Roberto Magalhães, que desapropriou o imóvel, então pertencente à Santa Casa de Misericórdia, e o entregou à comunidade judaica para a recuperação e instalação de um centro cultural em parceria com o Ministério da Cultura, a prefeitura e a Fundação Safra. Até então, as provas da existência da sinagoga eram apenas documentais. Depois que deixou de funcionar, o local foi usado para os mais variados fins - desde culto religioso católico a loja de material elétrico. Com a prospecção arqueológica realizada no local, descobriu-se o poço e a piscina do Micvê, que foram analisados por um tribunal rabínico, passando a constituir prova material da Kahal Zur Israel. A sinagoga foi construída por cristãos-novos (judeus forçados a aceitar o cristianismo) que emigraram para a Holanda, fugindo da perseguição religiosa dos portugueses e espanhóis. Com a conquista de Pernambuco pelos holandeses, muitos deles vieram para o Recife com o conde Maurício de Nassau. Com a expulsão dos holandeses, os judeus fugiram em 16 navios, de volta a Amsterdã. Um deles - carregando quatro casais, duas viúvas e 13 crianças - perdeu o rumo e foi parar em Nova Amsterdã, que depois veio a se chamar Nova York, nos Estados Unidos. O local ficará aberto à visitação pública de terça-feira a sábado, das 9 horas às 17 horas. Aos domingos, o horário de funcionamento vai das 15 horas às 19 horas.

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