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Primeira ruptura em 30 anos de aliança formal

Partidos da base entram em confronto inédito da era democrática

João Domingos, O Estado de S. Paulo

31 de janeiro de 2015 | 17h30

BRASÍLIA - Pela primeira vez nos 30 anos de governo civil, os dois principais partidos da coligação governista entraram numa disputa direta pelo controle da Câmara dos Deputados. O PT da presidente Dilma Rousseff lançou Arlindo Chinaglia (SP), ex-presidente da Casa e ex-líder do governo; o PMDB do vice-presidente Michel Temer disputa com o líder do partido, Eduardo Cunha (RJ). Desde 2007, dois partidos vinham fazendo um rodízio na presidência da Câmara. O acordo foi rompido agora. 


Até 1993, por exemplo, só o partido com maior representação na Câmara podia apresentar o candidato a presidente, o que levou o deputado Inocêncio Oliveira (PE), então no PFL, a forçar a mudança nas regras da escolha. Como seu partido não tinha a maioria, Inocêncio montou um bloco com dez legendas, suplantando o do PMDB, que na tentativa de assegurar o direito de indicar o presidente juntou-se ao PT e ao PSDB, mas ficou em minoria. 



O então líder do PMDB, Genebaldo Correia (BA), apresentou ao presidente Ibsen Pinheiro (RS) um parecer jurídico segundo o qual, mesmo com o bloco, caberia ao PMDB indicar o candidato a presidente. Mas Ibsen foi advertido por Inocêncio a não fazer isso, porque o outro lado inviabilizaria a escolha, até mesmo com a negativa de quórum para a votação da nova Mesa Diretora. Ibsen cedeu e aceitou a formação de blocos. Inconformado, o PMDB decidiu lançar então a candidatura de Odacir Klein (RS), não oficialmente, como "candidato avulso". Klein obteve 177 votos contra 311 de Inocêncio. 


Nova República. Da redemocratização para cá, o recordista na presidência da Câmara é Michel Temer, que dirigiu a Casa por três vezes. O segundo é Ulysses Guimarães (1985 a 1987 e 1987 a 1989), que chegou a acumular, com a presidência da Câmara, a presidência da Assembleia Constituinte, a vice-presidência da República e a presidência do PMDB, partido que em 1986 elegeu 22 dos 23 governadores de Estado. Durante esse período, Ulysses teve tanta força no governo de José Sarney (1985-1990) que chegou a demitir e nomear até os ministros da área econômica.

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