Primeira dama e vice de Campinas continuam foragidos

A primeira dama e ex-chefe de gabinete da prefeitura de Campinas (SP), Roseli Nassim dos Santos, e o vice-prefeito, Demétrio Vilagra, eram considerados foragidos da Justiça até o início da noite de hoje, após o juiz da 3.ª Vara Criminal de Campinas, Nelson Bernardes, decretar, ontem, a prisão preventiva de sete pessoas ligadas à administração Hélio de Oliveira Santos (PDT).

TATIANA FAVARO, Agência Estado

10 de junho de 2011 | 19h41

Roseli e Vilagra estão entre os acusados pelo Ministério Público de formação de quadrilha, fraudes em licitações e corrupção. Rosely prestou depoimento ao Ministério Público na quinta-feira passada, quando ainda estava protegida da prisão por um habeas corpus. Ela é apontada como centro da suposta organização criminosa desmantelada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

No início da noite de hoje, o advogado de Vilagra, Ralph Tórtima, confirmou protocolo de pedido de habeas corpus para seu cliente, cujo paradeiro era desconhecido. Vilagra chegou a ser preso, mas sua prisão foi revogada em 27 de maio.

Além da primeira dama e do vice-prefeito, tiveram a prisão decretada o ex-secretário de Comunicação Francisco de Lagos e dois ex-diretores de órgãos municipais, também considerados foragidos. Na manhã de hoje, o ex-secretário de Assuntos de Segurança Pública, Carlos Henrique Pinto, e o ex-diretor da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa) Marcelo Figueiredo foram presos. No início da noite, a informação da Corregedoria da Polícia Civil era de que Pinto seria levado para o 2.º Batalhão de Polícia de Choque de São Paulo.

Em maio, polícia e Ministério Público deflagraram megaoperação com 20 mandados de prisão de suspeitos de envolvimento em suposta organização criminosa que teria causado prejuízos de R$ 615 milhões aos cofres públicos. Sob acordo de delação premiada, Luiz Augusto Castrillon de Aquino, ex-presidente da Sanasa, revelou, em janeiro deste ano, detalhes do suposto esquema de corrupção.

Nesta sexta-feira, o assunto repercutiu não só na Prefeitura, de onde o prefeito Hélio se ausentou para encontrar advogados em São Paulo. Nos corredores da Câmara de Vereadores repetiam-se comentários de que "a cidade está abandonada" e de que "a situação é grave". O secretário de Educação José Tadeu Jorge, ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pediu exoneração do cargo alegando motivos pessoais.

Comissão Processante

O vereador Valdir Terrazan (PSDB) entrou com recurso na tarde de hoje e reiterou pedido de afastamento do prefeito Hélio de Oliveira Santos durante os trabalhos da Comissão Processante (CP) que vai investigar supostas irregularidades na administração e pode culminar no pedido de impeachment do pedetista. Terrazan já havia pedido o afastamento de Santos em maio, mas a Consultoria Jurídica da Casa considerou o pedido inconstitucional.

A defesa do prefeito na CP foi entregue esta semana à Câmara, que tem até segunda-feira para avaliar a documentação.

Por meio de assessoria de imprensa, Dr. Hélio disse que todos os citados como suspeitos de cometerem ilicitudes contra a administração municipal foram exonerados, o relatório com o conteúdo das investigações do Ministério Público isenta a figura do prefeito, as suspeitas de envolvimento de agentes da prefeitura em operações fraudulentas envolvendo a Sanasa na gestão Luiz Aquino estão na esfera de responsabilidades individuais, cabendo a cada um deles e seus representantes legais responderem por seus atos.

O prefeito informou ainda que continua a exercer as prerrogativas legais de seu mandato.

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