PAULO VITOR/ESTADÃO
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Primeira baixa eleitoral da delação é no futebol

Zezé Perrella desiste de disputar a presidência do Cruzeiro; peemedebista e Aécio, citados no acordo da JBS, são conselheiros do clube mineiro

Leonardo Augusto, ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2017 | 03h00

BELO HORIZONTE Três semanas depois da avalanche de denúncias das delações da JBS já aparece a “primeira baixa eleitoral”. O senador Zezé Perrella (PMDB-MG) comunicou nesta terça-feira, 6, que desistiu da disputa para a presidência do Cruzeiro, clube que comandou por nove anos – de 1995 a 2002 e de 2009 a 2011. O cartola dominou o clube e chegou a ser sucedido pelo irmão Alvimar de Oliveira Costa, o Alvimar ‘Perrella’.

Desde que o conteúdo da delação da J&F, holding que controla a JBS, foi divulgado, faixas foram colocadas perto da sede do clube, no Barro Preto, na região central de Belo Horizonte. Em uma se lia: “A torcida não quer a imagem do Cruzeiro associada à corrupção. Esse patrimônio é nosso”. Em outra: “O futuro do Cruzeiro está nas mãos do Dr. Gilvan e conselheiros. A torcida exige responsabilidade e isenção nas decisões a serem tomadas”. O “Dr. Gilvan” citado na faixa é o atual presidente do clube, Gilvan Tavares.

Antiga aliada do ex-presidente, a mais tradicional torcida organizada do clube, a Máfia Azul, se posicionou contra um novo mandato para o senador peemedebista à frente do time, por força do momento vivido pelo parlamentar.

Em colaboração, o dono da JBS, Joesley Batista, afirmou em maio ter repassado R$ 2 milhões para o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). À época, Aécio disse que a conversa era privada e que solicitou apoio para cobrir custos de sua defesa.

Segundo a Polícia Federal, o dinheiro entrou na conta-corrente da Tapera Participações, que tem como um dos donos o filho de Zezé Perrella, Gustavo Perrella, ex-deputado estadual em Minas, hoje secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor.

Perrella e Aécio são conselheiros do Cruzeiro. Além dos dois, outros cinco conselheiros do clube aparecem na delação dos executivos da JBS: o funcionário de Perrella Mendherson Souza Lima, o primo de Aécio Frederico Pacheco, Gustavo Perrella, Euler Nogueira Mendes, contador, e outro funcionário de Perrella, Tostão, que tem o apelido de um ex-craque do time.

Considerado nome forte na disputa, marcada para outubro, Perrella comunicou a decisão em carta enviada ao conselho do Cruzeiro, nesta terça-feira, 6.

Ao justificar o posicionamento, o peemedebista culpa “pessoas que se escondem através das redes sociais”, “parte da imprensa” e diz atender ao pedido dos filhos. O senador disse ainda que desiste da disputa da presidência do clube, que é sua “outra grande paixão”, para atender a pedido de familiares, que “sofrem com tantas inverdades”, assim como ele.

Diego de Castro, presidente da Máfia Azul, uma das maiores de Minas, apoia a decisão de Perrella. “Não seria bom que ele assumisse o clube.”

Jogador do Cruzeiro entre 1963 e 1978, o ex-volante Wilson Piazza, hoje com 74 anos, disse que a escolha do próximo comando será fundamental para o time. “Espero que quem vencer possa ser um tijolo a mais na respeitabilidade do clube”, disse.

O presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, João Carlos Gontijo, elogiou Perrella: “Sempre foi uma figura especial”. Segundo Gontijo, agora vão ter de trabalhar para encontrar um nome de consenso para a disputa.

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