Primavera Árabe já custou mais de US$ 55 bi, diz relatório

As rebeliões que varreram o Oriente Médio e o Norte da África neste ano custaram mais de 55 bilhões de dólares aos países envolvidos, segundo um novo relatório, mas o aumento no preço do petróleo -- uma das consequências dos movimentos da chamada Primavera Árabe -- acabou beneficiando outros países produtores.

PETER A, REUTERS

14 de outubro de 2011 | 11h45

Uma análise estatística de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), feita pela consultoria de risco político Geopolicity, mostrou que os países que tiveram as rebeliões mais sangrentas - Líbia e Síria - sofreram também prejuízos financeiros maiores, vindo Egito, Tunísia, Bahrein e Iêmen em seguida.

Juntos, esses países viram 20,6 bilhões de dólares serem eliminados do seu PIB, além de sofrerem prejuízos de 35,3 bilhões de dólares nas suas contas públicas, por causa da redução da arrecadação e dos aumentos de gastos.

Enquanto isso, grandes produtores de petróleo, como Emirados Árabes, Arábia Saudita e Kuweit, conseguiram evitar protestos significativos - até porque puderam aumentar a distribuição de renda, como resultado da alta nos preços do petróleo. Para esses países, o PIB cresceu.

No começo do ano, o barril do petróleo tipo Brent era negociado a cerca de 90 dólares. Chegou a quase 130 em maio, para cair aos 113 dólares atuais.

"Como resultado, o impacto geral da Primavera Árabe em todo o mundo árabe foi ambíguo, mas positivo em termos agregados", afirmou o relatório, estimando que até setembro a produção econômica da região teve alta de 38,9 bilhões de dólares, em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Líbia parece ter sido o país mais afetado, já que a guerra civil paralisou a atividade econômica - inclusive as exportações de petróleo - num valor estimado em 7,7 bilhões de dólares, ou 28 por cento do PIB. O custo total para as contas públicas foi estimado em 6,5 bilhões de dólares.

No Egito, nove meses de turbulências corroeram 4,2 por cento do PIB. Os gastos públicos cresceram para 5,5 bilhões de dólares, enquanto a arrecadação teve uma queda de 75 milhões de dólares.

Na Síria, onde ainda há uma violenta repressão governamental aos protestos, o impacto é mais difícil de avaliar, mas os primeiros indícios sugerem um custo total para a economia de 6 bilhões de dólares, ou 4,5 por cento do PIB.

No Iêmen, o relatório estima que a parcela da população abaixo da linha da pobreza deve ultrapassar 15 por cento, devido à desvalorização cambial e aos prolongados distúrbios. O custo total para a economia foi avaliado em 6,3 por cento do PIB, com uma deterioração de 858 milhões de dólares no equilíbrio fiscal, ou 44,9 por cento do PIB.

A Tunísia, berço da revolta árabe e primeiro país da região a depor o seu governo, teve prejuízos em torno de 2 bilhões de dólares, ou cerca de 5,2 por cento do PIB. O impacto aconteceu em praticamente todos os setores econômicos, incluindo turismo, mineração e pesca. O governo aumentou seus gastos públicos em cerca de 746 milhões de dólares, deixando um rombo em torno de 489 milhões de dólares nas contas públicas.

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