André Dusek/Estadão - 06.05.2015
André Dusek/Estadão - 06.05.2015

‘Prever decisão é correr risco de errar’, diz ministro

Eliseu Padilha (PMDB), ministro da Aviação Civil

Entrevista com

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2015 | 22h00

BRASÍLIA- Braço direito do vice-presidente Michel Temer na articulação política do governo, o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, disse que o PMDB deve esperar a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) para se posicionar sobre o julgamento das chamadas “pedaladas fiscais”. “À luz da decisão (do TCU), o PMDB vai obrigatoriamente se manifestar, mas não pode ser esquecido por ninguém que o PMDB participava do governo, é governo”, afirmou.

O PMDB vai deixar a articulação política do governo?

Estamos trabalhando, Michel e eu, com o horizonte de em julho ou agosto liquidarmos as questões dos cargos do segundo e terceiro escalões e de nos adequarmos com a Fazenda e a Comissão do Orçamento a liquidação dos restos a pagar e o início do processo de pagamento das emendas parlamentares, que agora são obrigatórias. 

Não é coincidência o PMDB deixar o “balcão” com a aproximação do julgamento do TCU?

Absolutamente não. Pergunto: Se nós tivermos resolvido as nomeações dos cargos, dos restos a pagar e das emendas? O PMDB neste trabalho terá cumprido a sua missão. A articulação política vai continuar com o vice-presidente Michel Temer. 

Dilma acusa a oposição de tentar um golpe e a oposição rebate, dizendo que ela tenta constranger os ministros do TCU. 

Quem quiser fazer qualquer previsão, que não existe no que tange a um julgamento, corre um sério risco de errar. Eu pessoalmente penso que, enquanto não tiver uma decisão, trabalhamos com hipótese. Neste caso, eu prefiro aguardar, conhecer a decisão do tribunal para depois me manifestar politicamente. 

Esse processo está sendo contaminado por questões políticas?

Sinceramente, penso que não. Não acredito que o TCU seja passível de submissão a interesses e articulações politicas. O tribunal se funda num corpo técnico de alta qualificação. 

Após passar pelo TCU, o processo vai para o Congresso. Qual vai ser a postura do PMDB?

Não posso falar sobre aquilo que não existe. Penso que falar sobre algo que não existe é algo de alta irresponsabilidade. Vamos esperar. 

Mas a pergunta não expõe um resultado, positivo ou negativo ao governo. Uma vez o processo saindo do TCU, qual vai ser a postura do PMDB no Congresso, independentemente do resultado?

Não é independente do resultado. O PMDB dependente do resultado terá uma postura A, B ou C. Nós somos base de sustentação do governo e essas contas de 2014 dizem respeito a uma gestão de que o PMDB participou. Portanto, à luz da decisão, o PMDB vai obrigatoriamente se manifestar, mas não pode ser esquecido, por ninguém, que o PMDB participava do governo, é governo. Tinha vice-presidente no mandato anterior, essas contas têm participação do PMDB e de todos os partidos da base.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.