Preterido, Tarso acha comentário ''arriscado''

Ministro anda enfraquecido e sua pasta já consta do mapa de negociações

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de novembro de 2008 | 00h00

Adversário da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na competição interna do PT pela candidatura à sucessão presidencial, o ministro da Justiça, Tarso Genro, reagiu ontem com desconforto às declarações de apoio que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu a ela. "Sempre que achei que o presidente tinha dito algo arriscado, eu estava errado e ele estava certo", declarou, ao ser abordado sobre o assunto, após abrir seminário sobre Cooperação Jurídica Internacional, em Brasília.Preterido pelo Planalto, Tarso ficou enfraquecido no governo e sua pasta passou a constar do mapa de negociações de uma provável reforma ministerial. De acordo com assessores de Tarso, o "ataque especulativo" tem três origens: o PMDB, que saiu fortalecido das eleições municipais; grupos financeiros, como o do banqueiro Daniel Dantas, contrariados com a ação da Polícia Federal; corporações incomodadas com o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), que estaria revolucionando velhas práticas policiais no País.JANELANa entrevista de ontem, Tarso também criticou a iniciativa em discussão no Congresso, destinada a abrir uma janela na decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de modo a permitir o troca-troca partidário. "Na minha opinião, a pessoa pode ter o direito de trocar de partido apenas por motivo ideológico, não para proveito pessoal, como negociar mandato e aderir ao governo no momento que lhe seja conveniente", criticou. "Se ocorrer (a troca de partido), que seja porque a pessoa diverge do partido e não se sente mais adequada programaticamente dentro dele." FRASETarso GenroMinistro da Justiça"Sempre que achei que o presidente tinha dito algo arriscado, eu estava errado e ele estava certo"

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