Família Bolsonaro
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'Pretendo beneficiar, sim': Relembre momentos em que Bolsonaro saiu em defesa dos filhos

Pivôs de crises e polêmicas, filhos do presidente costumam ter o respaldo público do pai

Vinícius Passarelli, especial para O Estado

19 de julho de 2019 | 17h40

Na quinta-feira, 18, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a indicação de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), como embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Em sua live semanal no Facebook, ele rebateu as acusações de que estava favorecendo o filho

“Pretendo beneficiar filho meu, sim. Se eu puder dar um filé mignon ‘pro’ meu filho, eu dou, mas não tem nada a ver com o filé mignon essa história aí. É aprofundar o relacionamento com a maior potência do mundo”, afirmou o presidente.

Defesa de Flávio no “caso Queiroz”

Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro saiu em defesa publicamente de um dos seus filhos. Na última terça-feira, 16, o presidente afirmou que desconhecia a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, que beneficia o seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL), no “caso Queiroz”. 

Toffoli suspendeu todas as investigações que utilizam dados obtidos pelo Coaf e outros órgãos de controle, como Receita Federal e Banco Central, sem autorização judicial prévia. “Quem fala sobre isso são nossos advogados”, afirmou o presidente, se incluindo no caso. No entanto, nesta sexta-feira, 19, Bolsonaro defendeu a medida tomada pelo presidente do STF.

A afirmação foi feita a jornalistas após o evento de posse do novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)Gustavo Montezano. Na ocasião, Bolsonaro exaltou amizade dos seus filhos com Montezano, que morou no mesmo condomínio que eles durante a juventude, e disse que Flávio, por ser seu filho, “tem seus problemas potencializados”.

“Vejo que, daquela garotada do condomínio, temos um presidente do BNDES. Temos um senador da República (Flávio Bolsonaro), que, por ser meu filho, tem seus problemas potencializados. E teremos, se Deus quiser, um embaixador na maior potência do mundo”, afirmou Bolsonaro. “Até porque um pai, mesmo sendo deputado na época, não tinha como bancar o aperfeiçoamento dele nos Estados Unidos e ele (Eduardo) tinha que trabalhar”, continuou o presidente.

Em entrevista à revista Veja no dia 31 de maio, Bolsonaro voltou a alegar que as acusações contra Flávio e Queiroz são superdimensionadas por ter seu filho envolvido. “Pode ter coisa errada? Pode, não estou dizendo que tem", disse Bolsonaro, que mantinha uma relação de amizade com Queiroz. 

"Mas tem o superdimensionamento porque sou eu, porque é meu filho. Ninguém mais do que eu quer a solução desse caso o mais rápido possível”, afirmou. Ele ainda disse que “se alguém mexe com um filho teu, não interessa se ele está certo ou está errado, você se preocupa”. 

Carlos Bolsonaro e o “caso Bebianno”

Em fevereiro, durante a primeira crise do governo, Bolsonaro endossou críticas feitas por seu filho Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, no Twitter, ao então ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Carlos chamou Bebianno de mentiroso, ao desmentir a fala do então ministro em que dizia que não havia crise no governo e que havia falado com o presidente sobre o caso das supostas candidaturas laranjas do PSL, partido do presidente, nas eleições de 2018. Bebianno era o presidente do partido na época da campanha.

"Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: 'É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano (sic) que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista'”, escreveu Carlos Bolsonaro no microblog.

Para “comprovar” que o ministro havia mentido, Carlos divulgou um áudio no qual Bolsonaro, que estava hospitalizado, falava para Bebianno que não podia falar. Na sequência, o próprio presidente compartilhou a postagem do filho. O episódio acabou levando à saída de Bebianno, resultando na primeira demissão de um ministro do governo Bolsonaro.

Além de Bebianno, Carlos Bolsonaro já entrou em atrito, sempre via redes sociais, com outros nomes fortes do governo, como o vice-presidente Hamilton Mourão, o ex-ministro Santos Cruz - que também foi demitido -, e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno

Mesmo com o incômodo da ala militar do governo com as críticas de Carlos, o presidente nunca repreendeu o filho em público. Por outro lado, Bolsonaro já chegou a afirmar que deve sua eleição ao “filho 02” - a quem se refere como “pitbull” - por conta de sua atuação durante a campanha nas redes sociais. 

"Defesa dos filhos faz parte do personagem construído durante a campanha"

Para o professor de Comunicação Política da Universidade Metodista de São Paulo, Kleber Carrilho, Bolsonaro pode até confundir a função de presidente com o papel de pai, mas afirma que essa postura é natural e legítima para parte do eleitorado que o elegeu, uma vez que esse perfil já foi apresentado durante a campanha presidencial. 

"O personagem que foi eleito não é exatamente um personagem desenvolvido a partir da capacidade de entender a diferença entre o que é familiar e o que é político. Ele se afirmou durante a campanha e tem se reafirmado durante o mandato como uma pessoa comum que deixa de lado as questões políticas para defender as ideias que ele representa, isto é, a ideia de família, que faz com que para uma parte do eleitorado dele isso tenha força de algo legítimo", observa Carrilho.

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