Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Pressionado pelas ruas, Bolsonaro diz que estar até agora à frente do governo é ‘milagre’

Em conversa com apoiadores, presidente também afirma que, se depender dele, 'todo mundo que quiser' terá arma no Brasil

Rafael Beppu, Gustavo Cortês e Pedro Caramuru, Brasília e São Paulo

22 de junho de 2021 | 00h32

Dois dias depois de manifestações de rua em defesa do impeachment, o presidente Jair Bolsonaro classificou como “milagre” o fato de ainda estar à frente do governo. Em conversa com apoiadores diante do Palácio da Alvorada, nesta segunda-feira, 21, Bolsonaro mais uma vez distorceu fatos e disse existir uma “jogada política” para inflar o número de mortes causadas pela pandemia de covid-19, com o objetivo de provocar desgaste à sua gestão.

“As mortes parecem que interessam para a TV Funerária”, criticou o presidente, numa referência às mais de 500 mil vidas perdidas pelo novo coronavírus. “A TV Funerária entrou em êxtase quando atingiu as quinhentas mil mortes”, emendou ele, numa referência à Rede Globo.

Horas antes, em Guaratinguetá (SP), Bolsonaro havia retirado a máscara de proteção facial enquanto dava entrevista e, aos gritos, mandou a repórter Laurene Santos, da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, calar a boca. Disse ser  alvo de “canalhas” e pediu “pergunta decente”, mostrando descontrole.

No fim do dia, já em Brasília, Bolsonaro afirmou a eleitores que o aguardavam na entrada do Alvorada, sede da residência oficial, que continua no Palácio do  Planalto por milagre. “Cada um tem a religião que quer, né? Para mim, são dois milagres: estar vivo e estar eleito. E outro, o terceiro: estar no mandato ainda”, destacou.

Em campanha pela reeleição, Bolsonaro disse ter certeza de que entregará o Brasil “melhor”. “Quando, eu não sei. Vocês que vão dizer se vai ser final de vinte...”, comentou, sem completar a frase. Pesquisas recentes de diferentes institutos indicam queda de popularidade de Bolsonaro, que tem como principal adversário o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Serial killer

Um apoiador citou o caso do criminoso Lázaro Barbosa, conhecido como “serial killer do Distrito Federal”, que a Polícia tenta capturar há duas semanas, sem sucesso. “Parece que ele tentou invadir uma casa aí, não entrou porque o cara estava armado. Não é o Estatuto do desarmamento que vai dar tranquilidade para você”, afirmou Bolsonaro. “No que depender de mim, todo mundo que quiser vai ter arma. Os vagabundos têm”.

O presidente também mencionou reportagem do Estadão mostrando que o problema de muitos que perderam o emprego na pandemia se agravou com a falta de merenda para os filhos, com as escolas fechadas. “De vez em quando, eles escrevem a verdade”, ironizou. “Tem muito moleque – a gente sabe disso – que vai para a escola atrás da merenda”.

Durante a conversa, outro eleitor disse a Bolsonaro que, apesar das críticas, ele não mudou o estilo nem assumiu o “politicamente correto” apenas para agradar. “Olha, se servir para alguém aí...”, iniciou o presidente, dirigindo-se aos apoiadores. “Eu fiquei 28 anos na política (como deputado federal). E o caminho para você perder o mandato é querer agradar a todo mundo. É igual em casa. Se disser ‘sim’ para o outro, 100% do tempo, não dá certo”.

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