Pressionado, Haddad recua de mudança na previdência de servidores

Segundo o prefeito, que tenta a reeleição, o recuo em relação à Sampaprev foi motivado pela ameaça do Sindicato dos Profissionais em Edicação do Ensino Municipal (Sinopeen) de deflagrar uma paralisação a partir de amanhã.

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2016 | 17h51

Pressionado pela possibilidade de greves de servidores às vésperas da eleição municipal, o prefeito de São Paulo, Fernando Hadad (PT), candidato à reeleição fez acenos ao funcionalismo. 

Na manhã desta quinta-feira, 25, em debate promovido pelo Sindicato dos Especialistas em Educação do Ensino Municipal, o prefeito anunciou a retirada do projeto de lei que prevê a criação da Sampaprev, o regime de previdência privada do funcionalismo, e a criação de 96 cargos efetivos de supervisão em escolas municipais.

Segundo Haddad, o recuo em relação à Sampaprev foi motivado pela ameaça do Sindicato dos Profissionais em Edicação do Ensino Municipal (Sinopeen) de deflagrar uma paralisação a partir de amanhã.

A criação da Sampaprev é rejeitada por grande parte dos 155 mil servidores municipais que temem perder direitos com o novo regime previdenciário.

Na semana passada Haddad acusou o presidente do Sinpeen, Claudio Fonseca, de fazer uso político da paralisação. Fonseca é filiado ao PPS, que apoia o candidato tucano à Prefeitura, João Doria. Segundo o prefeito, o projeto de lei foi apresentado para cumprir uma exigência do Ministério da Previdência.

Neste quinta-feira Haddad mudou o discurso, disse ter conversado com o presidente do sindicato e combinado fazer um “gesto” para impedir a paralisação marcada para sexta-feira e deixar o debate para depois das eleição. De acordo com o prefeito, o foco tanto do sindicato quanto da prefeitura é barrar a PEC 241, apresentada pelo presidente em exercício Michel Temer, que cria um teto de despesas para o governo federal e deve reduzir as verbas para educação. 

“Continua sendo uma exigência do Ministério da Previdência mas durante o período eleitoral nós não queremos confundir com o que nos interessa que é barrar a PEC 241. Não vamos nos dividir em um momento tão delicado da vida nacional”, explicou Haddad. “Ele (Fonseca) falou que se (a prefeitura) fizer o gesto de adiar essa discussão para um momento mais oportuno (o sindicato) vai considerar”, completou Haddad. 

Além disso o prefeito prometeu criar 96 cargos de supervisão na rede pública de ensino. Segundo ele o projeto de lei já está pronto e deve ser apresentado logo depois da eleição. Hadad negou que a criação dos cargos seja uso eleitoral da máquina pública. 

“Como a rede expandiu muito, na semana que vem vamos celebrar mais de 400 creches abertas, precisa de um trabalho de supervisão. Havia dúvida se eu podia encaminhar em ano eleitoral e chamar os diretores concursados. O Jurídico entendeu que eu posso. Não há impacto orçamentário porque vamos substituir temporário por concursado”, justificou o prefeito. 

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