André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

‘Pressão popular vai decidir impeachment’, diz novo líder do PMDB na Câmara

O deputado Leonardo Quintão (MG) evita se posicionar sobre processo, mas diz que sentimento na bancada é de ruptura com governo

Erich Decat e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2015 | 03h00

BRASÍLIA - Alçado ao comando da bancada do PMDB pelo grupo pró-impeachment do partido, o líder Leonardo Quintão (MG) afirmou ao Estado nesta quinta-feira, 10, que hoje o sentimento dos deputados é de rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff, a quem acusa de manobras para tentar derrubá-lo do posto. Também disse que é a pressão popular que vai definir o impeachment. 

Há um início de desembarque do PMDB do governo?

Não posso dizer isso. Quem tem que dizer isso é a Executiva do partido.

Mas a bancada?

O sentimento da bancada é de extrema ruptura hoje devido a esse processo que está acontecendo na Câmara. Quanto mais o governo interfere na bancada, mais a bancada dispersa. Meu papel agora é de unificar a bancada.

Qual sua posição em relação ao impeachment?

Não tenho posição. Não posso ter posição. Vou reunir a bancada. Certamente, todos os votos do Congresso vão refletir não a posição partidária, mas o eleitor que elegeu o parlamentar aqui. A pressão popular vai definir qualquer votação no plenário da Câmara dos Deputados.

Como o senhor vai dividir a composição dos indicados para o colegiado?

Vamos colocar em votação. Se tiver meio a meio, vai ser meio a meio. Se tiver três e cinco, vai ser três e cinco. Pode ser semana que vem, mas vou discutir.

O governo tem atuado para reverter o resultado e reconduzir o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) na liderança?

Sim. Estamos num momento de extrema tensão dentro do PMDB porque o governo anteontem, antes da conversa do vice-presidente Michel Temer com a presidente Dilma, tinha acionado os ministros do PMDB. O Helder Barbalho foi firme para que o governo não interferisse. O ministro Marcelo Castro (Saúde) também foi pressionado. Hoje teve até um episódio muito triste. Conversei com o Marcelo e ele estava me cumprimentando como líder, mas a única coisa que ele queria saber é se eu era a favor ou contra o impeachment.

Outros ministros também tiveram essa postura?

Não. O ministro Henrique Eduardo Alves (Turismo) foi muito solícito, me atendeu muito bem e disse que não iria entrar nessa briga, que não aceitava essa barganha com o governo. Com o ministro Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) não tive contato. Mas esse episódio do Marcelo Castro foi muito triste.

Qual foi a reação do Temer?

Ele disse para desculpar o ministro e afirmou que vai orientá-lo. Ele também já conversou com a presidente Dilma para que não tenha nenhuma ação nesse sentido.

Teve alguma outra ofensiva?

Usaram o nome do governador de Minas (Fernando Pimentel, do PT) para pressionar o deputado Silas Brasileiro, de Minas, para tirar a assinatura (da lista que o elegeu e derrubou Picciani). Ameaçaram-no dizendo que o governador iria mandar de volta secretários e ele viraria suplente novamente. O governador, quando soube disso, me ligou e já foi revertida essa situação.

Qual foi o papel de Temer nesta articulação para o senhor chegar à liderança?

O vice-presidente ficou muito chateado depois da carta, dos comentários do Picciani. Conversei com o vice-presidente, fui comunicá-lo no dia anterior que teríamos este processo. Ele disse ‘olha, Quintão, tenho total confiança em você, mas a decisão é de vocês, internamente. Depois que qualquer coisa acontecer, volta aqui que temos que construir agora a unidade do partido’.

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