Presos pela PF, etíopes querem pedir refúgio para ficar no País

Eles tentaram embarcar no Aeroporto Eduardo Gomes usando passaportes falsificados como sul-africanos

Liege Albuquerque, do Estadão

08 de novembro de 2007 | 21h28

Quatro etíopes que declararam ser fugitivos da perseguição religiosa naquele país foram presos na quarta-feira, 7, pela Polícia Federal tentando embarcar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes usando passaportes falsificados como sul-africanos. Eles pediram refúgio para continuar no Brasil ao Comitê Nacional de Refugiados (Conare), em Brasília.   Segundo o delegado da PF Marcelo Dias, Manaus ainda não havia sido usada como corredor para refugiados da Etiópia, sendo comuns os casos de colombianos.   No depoimento, de acordo com o delegado, os quatro disseram não se conhecer, mas três, um casal e um adolescente de 16 anos, foram detidos no aeroporto ontem e um outro adulto foi preso no mesmo local anteontem. O que foi preso sozinho, Efren Fasil Akalu, de 38 anos, foi detido em flagrante anteontem tentando embarcar para o Canadá.   Os outros três, Amiose Bonjani, Josephine Sibonyhile e o adolescente, foram presos tentando embarcar para a Colômbia. "Os três disseram que se conheceram após chegar, o casal em outubro e o rapaz em setembro, como clandestinos em um barco no porto de Santos. Lá os três começaram a viajar de ônibus e de barco com o intuito de sair do Brasil para qualquer país da América Central ou Canadá, onde falassem inglês", disse o delegado.   Os quatro anunciaram que tinham pouco dinheiro, mas poderiam ter viajado de avião, só não fizeram antes por medo de serem pegos com os passaportes falsos, com a naturalidade da África do Sul.   Segundo o delegado, até que seja deferido ou não o pedido de refúgio, os três adultos ficarão detidos na Cadeia Pública, para onde foram transferidos no início da tarde desta quinta. O garoto foi levado para a delegacia de proteção à criança e adolescente.   Em depoimento, os três disseram que sofriam perseguição religiosa na Etiópia por terem se convertido ao cristianismo. Efren teria afirmado que trabalhava na agricultura e tinha concluído curso superior, mas não conseguiu emprego na área, de biologia, por conta da perseguição.

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