Presos no Rio quatro acusados de lavar dinheiro roubado do INSS

A Polícia Federal, Receita Federal, Procuradoria do INSS e Ministério Público Federal do Rio deflagraram hoje a operação "Branca de Neve" para prender uma quadrilha envolvida no desvio de recursos do INSS. Pelo menos quatro pessoas foram presas pela manhã, entre elas o ex-procurador do INSS na década de 80, Armando Avelino Bezerra.Ele já havia sido condenado anteriormente a 12 anos por desvio de verbas da Previdência por chefiar uma organização criminosa responsável pela utilização de dinheiro desviado do INSS na década de 80 na compra de imóveis, obras de arte e aplicações financeiras.Foram presos também no Rio o auditor da Receita Federal, João da Hora, e dois outros participantes da quadrilha: Cícero Nogueira e Esperidião Fernandes Campos. Um quinto participante, Ricardo Pereira Carvalho, morreu em outubro de 2003, vítima de arma de fogo, mas a Polícia Federal desconhece se o crime tem ligação com a quadrilha.O desvio de dinheiro do INSS na década de 80, que foi comandado entre outras pessoas pela fraudadora Jorgina de Freitas, atingiu, atualizado a valores de hoje, R$ 3 bilhões. Deste total, apenas 7%, segundo a polícia, foram recuperados.Nesta organização criminosa comandada por Avelino, a polícia já identificou o reingresso de US$ 2,3 milhões que entraram pelas Ilhas Virgens Britânicas através do Banco Central em 1997. Coincidentemente, em 1996, Avelino foi libertado depois de cumprir apenas quatro dos 12 anos de cadeia a que tinha sido condenado.A polícia e a Receita, segundo o delegado José Maria Fonseca, ainda não sabem qual o montante de dinheiro que a quadrilha movimentou. Mas suspeita que só em imóveis foram adquiridos cerca de 140 de luxo, em bairros nobres como da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.Além das quatro prisões, a operação "Branca de Neve" cumpriu hoje 30 mandatos de busca em residências e escritórios, sendo que um deles ocorreu em São Paulo, em uma corretora onde a quadrilha estaria investindo parte dos recursos em títulos mobiliários, sem que a corretora soubesse da origem suspeita do dinheiro.

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