Presos no mensalão não representam símbolos da corrupção, diz Hage

Sem citar nomes, ministro-chefe da Controladoria-Geral da União disse que os corruptos mais 'emblemáticos' 'continuam soltos'

Tânia Monteiro, Agência Estado

09 Dezembro 2013 | 18h12

Brasília - Após discursar na cerimônia de comemoração do Dia Mundial de Combate à Corrupção e fazer um balanço dos 10 anos do trabalho da Controladoria-Geral da União, o ministro Jorge Hage, disse, em entrevista, que os presos do mensalão não representam os símbolos da corrupção no País. Para Hage, "os símbolos da corrupção, os emblemáticos, continuam soltos".

Ao ser questionado se o julgamento do mensalão e a prisão de condenados na Papuda poderia ser considerado um símbolo do combate à corrupção no País, Hage respondeu que "é importante sim porque mostra que as instituições quando querem, funcionam". "Mas eu diria que está muito longe de termos condenado símbolos da corrupção do Brasil." "Na minha opinião os símbolos da corrupção, os emblemáticos, continuam soltos".

Na cerimônia, Hage afimou que "há muitos avanços no combate à corrupção". Ressalvou, no entanto, que ainda há uma série de medidas necessárias a serem tomadas para que estas ações se tornem mais efetivas. E listou algumas delas: a reforma política, reforma no processo judicial e a participação mais efetiva dos Estados e municípios no combate às praticas criminosas.

Em seu discurso, o ministro lembrou avanços dos dez anos da criação da CGU, destacando que o Brasil acabou se tornando um exemplo mundial por causa de iniciativas como a criação do Portal da Transparência, as fiscalizações em municípios, a demissão de 4,3 mil servidores federais e a Lei de Acesso à Informação.

Para Hage, Estados e municípios devem acompanhar o que chamou de avanços do governo federal no o combate à corrupção no País.

Na opinião do ministro, o criminoso de colarinho branco que tem dinheiro para pagar bons advogados consegue usar recursos protelatórios, atrasando o julgamento de seus processos em 10, 15 ou 20 anos. "Isso ocorre muitas vezes com dinheiro obtido da corrupção."

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