André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Presos da Lava Jato passarão o Natal sem benefícios

Rotina será mantida na carceragem da Polícia Federal e no presídio em Curitiba, onde está a maioria dos detidos

Isabela Bonfim, Luciana Nunes Leal e Julio Cesar Lima, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2015 | 19h44

BRASÍLIA/RIO/CURITIBA - O senador Delcídio Amaral (PT-MS), o primeiro político preso preventivamente no exercício do mandato, completa um mês na cadeia na manhã de Natal. Como ele, os investigados pela Operação Lava Jato que permanecem detidos não terão a rotina alterada devido ao período de festas de fim ano.

Após ter a detenção preventiva mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador vai passar as festividades de fim de ano sem a família. Delcídio permaneceu em uma cela improvisada na Superintendência da Polícia Federal por 24 dias e depois foi transferido para o Batalhão de Policiamento de trânsito do Distrito Federal a pedido de sua defesa.

Um amigo próximo relatou que a nova acomodação é “mais humana e muito melhor”. O senador ocupa parte do alojamento de oficiais da Polícia Militar. Definido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como um “grande relações-públicas”, o petista adora conversar, mas teve as visitas limitadas à família, advogados e poucos amigos. Passa a maior parte do tempo envolto em livros dos mais variados, além de ler reportagens sobre o governo e que envolvam o seu nome. A seleção é feita pelo assessor, Eduardo Marzagão. “Na situação dele, qualquer coisa que não seja uma boa notícia vem com o peso triplicado”, afirma.

Delcídio foi preso pela Polícia Federal acusado de tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato contra ele após ser flagrado em conversa com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor de Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró, sugerindo a fuga para o Paraguai do ex-funcionário da estatal.

Após 11 meses preso, Cerveró deixou a carceragem da PF nessa quarta-feira, 23, e passará em casa, no Rio de Janeiro, com tornozeleira eletrônica, as festas de Natal e Réveillon. O benefício foi obtido graças ao acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal e homologado pelo Supremo. Ele ficará no Rio até 2 de janeiro.

Banqueiro. Preso no mesmo dia que Delcídio, mas solto por decisão do Supremo, o ex-controlador do Banco BTG Pactual André Esteves não poderá passar o Natal na casa de parentes ou amigos, pois está proibido de deixar o local onde mora.

Embora tenha um apartamento de 550 metros quadrados de frente para a praia de Ipanema (zona sul do Rio), onde foi preso em 25 de novembro, André Esteves passará o Natal em sua casa de São Paulo, por ser a cidade de residência informada à Justiça. Esteves não pode sair de casa e deve se apresentar à Justiça de 15 em 15 dias.

Ele deixou o presídio Bangu 8, na zona oeste, na última sexta-feira. É acusado também de tentativa de obstrução da Lava Jato junto com o senador. Investigadores da Lava Jato apuram se Esteves seria o responsável por financiar a fuga e a permanência de Cerveró fora do País. O banqueiro nega todas as acusações.

O antigo advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, também foi preso preventivamente e está em Bangu 8, onde passará o Natal. Segundo informações da Secretaria de Administração Penitencíária (Seap), o advogado divide a cela com mais 32 detentos. Como as visitas ocorrem às quartas-feiras e sábados, Ribeiro não receberá visitas na véspera e no dia de Natal.

Liberado da prisão pouco antes das festas de fim de ano, o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva passou a cumprir prisão domiciliar. O juiz Marcelo da Costa Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal do Rio, aceitou os argumentos da defesa de que o almirante tem 76 anos, que sua mulher sofre de Mal de Alzheimer e que ele já está afastado Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás. Pinheiro pode circular pelo condomínio onde mora, na Barra da Tijuca (zona oeste), mas não tem autorização para se afastar do entorno do edifício. Ele é acusado receber pelo menos R$ 4,5 milhões em propinas para facilitar a contratação de empresas para as obras da usina nuclear de Angra 3, mas nega as acusações.

Curitiba. A rotina também será mantida na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, e no Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana da capital curitibana, onde estão detidos 19 envolvidos na Lava Jato.

O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, os ex-deputados André Vargas e Luiz Argôlo, além do ex-tesoureiro do PT João Vaccari passarão o Natal no presídio. A visita será mantida nesta sexta-feira, das 13h30 às 16 horas. As famílias poderão levar carne, desde que sem osso, arroz, macarrão e um panetone. Os presos podem cadastrar pessoas para visitá-los, mas somente duas poderão entrar nas celas.

Continuam presos também no Complexo Médico Penal os ex-diretores da Petrobrás Jorge Luiz Zelada (Abastecimento) e Renato Duque (Serviços); os ex-dirigentes da Odebrecht Mario Faria e Rogério Araújo; o lobista João Augusto Henriques, e os doleiros Renê Pereira e Carlos Charter.

Saída temporária. O doleiro Alberto Youssef permanece na carceragem da PF em Curitiba, onde está desde 17 de março do ano passado. Ele abriu mão do direito que tinha de passar o Natal e o Ano Novo com sua família, por conta de um acordo feito com a Justiça, de delação premiada. Youssef considerou muito rigorosas as regras para sua saída, especilmente quanto ao contato com parentes. “Fazendo uma análise dos benefícios que seriam propostos e dentro do que se interpretou na condição em que se deu o benefício ele entendeu que haveria um rigor excessivo na forma que se interpretaram as cláusulas ali contidas no acordo”, explicou seu advogado, André Luis Pontarolli.

Estão detidos ainda na carceragem da PF o empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o ex-deputado Pedro Corrêa (PP), também condenado no escândalo do mensalão; o presidente da Andrade Gutierrez Otávio Azevedo e o ex-executivo da empresa Elton Negrão; o publicitário Ricardo Hoffmann, as doleiras Nelma Kodama e Yara Galdino da Silva.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.