Presos da Lava Jato em Bangu 9 serão transferidos por questões de segurança

Unidade que abriga milicianos, ex-PMs e ex-policiais civis vive fase de tensão, além de detentos não gostarem da 'turma do Cabral'

Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2017 | 19h02

RIO - O juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, decidiu nesta sexta-feira, 30, autorizar a transferência dos detentos da Operação da Lava Jato no Rio que estão na Penitenciária Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9, na zona oeste da capital fluminense, por motivos de segurança. A unidade foi palco de recente conflito entre os presos e vive momento de grande tensão.

Entre os detentos na unidade estão o empresário Miguel Iskin, o doleiro Álvaro Novis, sócio na Corretora Goya, o empresário do ramo de alimentação Marco de Luca, além de Wagner Jordão Garcia, ex-assessor do ex-governador do Rio Sérgio Cabral. O empresário Eike Batista também estava no local antes de ir para prisão domiciliar. Eles estão na unidade porque não possuem ensino superior completo. O ex-secretário de Cabral Wilson Carlos também seria transferido de Curitiba para Bangu 9.

A unidade abriga milicianos, ex-PMs e ex-policiais civis. De acordo com um agente ouvido pelo Estado em reportagem publicada em fevereiro, há um clima de tensão entre milicianos e os presos da Lava Jato. “Eles não gostam da ‘turma do Cabral’. Ninguém se mistura”, afirmou à época. O recente conflito, no entanto, não teria ocorrido com os presos da Lava Jato.

“Em que pese, esse conflito não estar diretamente relacionado aos presos que lá se encontram por decisão desse juízo (réus da Lava Jato no Rio), em sua resposta o secretário (Erir Ribeiro Costa Filho) afirma não garantir que outros incidentes possam ocorrer na unidade”, ressaltam os procuradores.

Umas das possibilidades é que eles sejam transferidos para o antigo Batalhão Especial Prisional (BEP) de Benfica, na zona norte, onde já está Cabral e outros presos da Lava Jato com nível superior.

O secretário de Estado de Administração Penitenciária do Rio, Erir Ribeiro Costa Filho, relatou em ofício que o conflito teve origem em possíveis agressões entre alguns presos “possivelmente decorrente de problemas externos com reflexos na unidade prisional”.

Costa Filho informou que toma medidas para evitar conflitos, tendo já transferido alguns presos. “Entretanto, não há como garantir que novos incidentes não venham a ocorrer naquela unidade, que como dito anteriormente passa por um momento de grande tensão”, diz o documento de quinta-feira, 29.

Após a resposta do secretário, o Ministério Público Federal (MPF) pediu, em caráter urgente, a transferência dos presos, ainda que para uma unidade que abrigue presos com curso superior ante eventual perigo que os presos possam estar correndo.

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