Presos comuns se revoltam com o PCC no Carandiru

Os "comuns", presos que não fazem parte de facções, estão em ritmo de espera na Casa de Detenção, no Complexo do Carandiru, zona norte de São Paulo. Segundo um preso do Pavilhão 2, que falou à Agência Estado pelo celular e se identificou como Real, "tá tudo normalzão por aqui, mas estamos no aguardo". "Na cadeia é tudo imprevisível, mas se a casa tiver bagunçada é lamentável, porque com a cadeia toda solta a gente tá envolvido no motim (é obrigado a participar)." De acordo com ele, a opinião da maioria dos presidiários é que a série de rebeliões do dia 18 não alcançou os resultados. "Foi mó (sic) patifaria total, parou o sistema penitenciário e não deu em nada", disse. "Pode colocar aí: o PCC é só patifaria. Setenta por cento dos (presos) comuns concordam que é só patifaria e o comum é 75% a 80% da cadeia." Para o detento, o problema é que o PCC tem mais união que os presos que não são de facções. "Infelizmente a gente é desorganizado e, como de fato somos minoria, nós têm (sic) de concordar em muita coisa", disse. "Esses caras é (sic) maior podridão, porque muita coisa que eles decretam eles mesmos não cumprem." Fama - Real afirmou já ter sido várias vezes convidado para fazer parte do partido - como o PCC é chamado. Mas não quer "colaborar" com a facção. "Eles estão fazendo fama nas custas de outro ladrão", disse. "Quantas quadrilhas nervosas não sofreram na mão desses malucos?", pergunta. "Tem até cagüete envolvido na fita (no grupo) dos cara, que vai para o debate e passa o errado para o certo (conta histórias falsas)." Outra revolta dos presos, disse ele, é o fato de os integrantes do PCC sempre irem "em bando" para acertar as contas na cadeia. "Sabe como é o batismo deles? É participar de uma morte para demonstrar que é cabuloso. Outra coisa é que não podia acontecer nada no horário da visita. Foi péssimo." Em relação ao celular, Real disse que é muito raro os funcionários ou a polícia pegarem algum aparelho. "Esse aqui (do qual falava) já vem de geração em geração e quando um (preso) vai embora de bonde (é transferido) deixa para o outro. Enquanto (o celular) não ´cair´, a gente vai falando."

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